A família de Lewelyn Dixon, uma técnica de laboratório de 64 anos com residência permanente legal (green card) nos Estados Unidos há cinco décadas, está pedindo sua libertação após ela ser detida pelo Serviço de Imigração e Alfândega (ICE). Dixon foi presa no aeroporto de Seattle ao retornar de uma viagem às Filipinas, seu país natal, no final de fevereiro.
A detenção, segundo seu advogado, Benjamin Osorio, provavelmente foi motivada por uma condenação antiga por peculato (desvio de dinheiro) que constava em seu registro. Dixon se declarou culpada em 2000 por retirar $6.460 de um cofre do banco onde trabalhava. Ela cumpriu 30 dias em regime semiaberto e terminou de pagar a restituição em 2019.
A família, que não sabia da condenação, descreve Dixon como o “pilar” que une todos. “Ela sempre foi nossa referência”, disse sua sobrinha, Lani Madriaga, que a considera uma figura materna. Dixon imigrou para os EUA aos 14 anos e sempre ajudou a família a se estabelecer no novo país.
Atualmente, Dixon está detida no Centro de Processamento do ICE em Tacoma, Washington, aguardando uma audiência marcada para julho. Enquanto espera, ela tem ajudado outros detidos, inclusive atuando como tradutora.
Um detalhe importante é que Dixon, apesar de elegível para a cidadania americana há muito tempo, manteve seu status filipino a pedido do pai, para poder manter propriedades nas Filipinas. “Ela provavelmente não entendeu o risco”, comentou o advogado, sugerindo que ela poderia ter se naturalizado antes de viajar.
A família está preocupada com o futuro de Dixon. Ela estava prestes a completar 10 anos de trabalho na Universidade de Washington, o que lhe garantiria a aposentadoria. Agora, temem que ela perca o emprego e a pensão devido à detenção prolongada. A universidade expressou apoio ao bem-estar da funcionária e espera que ela tenha um processo justo e rápido.
Além de lutar pela libertação da tia, a família espera que o caso sirva de alerta para outros residentes permanentes. “Para as pessoas que evitaram se tornar cidadãs como minha tia, pensando que estavam protegidas: Não. Vão buscar sua cidadania”, aconselhou Madriaga.
Foto: Cortesia Melania Madriaga