O governo do presidente Donald Trump pode iniciar nos próximos dias a deportação de imigrantes para a Líbia, segundo informaram duas autoridades americanas à CBS News. A medida faz parte da campanha de deportações em larga escala promovida pela atual administração, que busca enviar migrantes a países que não são suas nações de origem.
De acordo com os relatos, as deportações podem começar ainda nesta semana e seriam operadas pelas Forças Armadas dos Estados Unidos. A Líbia se junta a uma lista de países que o governo americano tem procurado para firmar acordos de deportação de cidadãos de terceiros países.
A possível deportação de migrantes para a Líbia chamou atenção por se tratar de um país que vive uma grave crise política e humanitária desde 2011, quando uma guerra civil dividiu o território em duas regiões controladas por diferentes forças. A capital, Trípoli, é administrada por um governo apoiado pela ONU, enquanto o leste do país está sob domínio de um líder militar.
Além da instabilidade, a Líbia é conhecida pelas péssimas condições de seus centros de detenção de imigrantes. Diversos relatos apontam para abusos de direitos humanos, como tortura, sequestros e falta de acesso a processos legais adequados. O Departamento de Estado dos EUA, inclusive, mantém um alerta de nível 4 para viagens ao país, recomendando que cidadãos americanos não viajem para lá devido a riscos como terrorismo, sequestros e conflitos armados.
Ainda não está claro quem seriam os migrantes deportados para a Líbia, nem o que aconteceria com eles ao chegarem no país. Também não se sabe se seriam detidos pelas autoridades locais.
Nos últimos anos, o governo Trump tem buscado acordos para enviar migrantes para países que não sejam os seus de origem, como forma de desestimular a imigração ilegal. Já foram feitas deportações de asiáticos e africanos para países da América Central, como Costa Rica e Panamá, e até mesmo de venezuelanos para El Salvador, que posteriormente os transferiu para um presídio de segurança máxima.
Além da Líbia, os EUA também tentaram negociar acordos semelhantes com países como Angola, Benin, Eswatini, Moldávia e Ruanda. No entanto, não está claro se esses países aceitarão formalmente receber deportados. Após ser citada pela CBS News, a embaixada de Angola nos EUA afirmou que o país não aceitará migrantes de terceiros países.
A proposta de deportações para a Líbia tem gerado preocupação entre especialistas em direitos humanos e organizações internacionais, que alertam para os riscos de enviar pessoas para um país em conflito e com histórico de violações graves.
Se confirmada, essa nova etapa da política migratória do governo Trump pode marcar um dos movimentos mais controversos até agora na tentativa de endurecer o controle de fronteiras e reduzir a entrada de imigrantes nos Estados Unidos.
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