Trump concede perdão a xerife condenado por suborno de US$ 75 mil e ataca Justiça Federal 

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, concedeu perdão ao ex-xerife do condado de Culpeper, na Virgínia, Scott Jenkins, que havia sido condenado por suborno e fraude. Jenkins, um apoiador de longa data de Trump, foi sentenciado a 10 anos de prisão em março deste ano, mas, com o perdão presidencial, não precisará cumprir nenhum dia de pena.

A condenação veio após um júri considerar Jenkins culpado de aceitar mais de 75 mil dólares em subornos em troca de conceder cargos de oficiais voluntários a empresários — posições que garantiam benefícios como porte de armas e isenção de multas de trânsito, mesmo sem qualquer treinamento policial.

De acordo com os promotores, Jenkins recebeu os pagamentos de oito pessoas, incluindo dois agentes disfarçados do FBI. Os subornos foram feitos em dinheiro e por meio de doações para sua campanha. Embora as funções fossem voluntárias, os nomeados tinham poderes semelhantes aos de policiais de carreira.

Trump anunciou o perdão por meio de sua rede social, Truth Social, dizendo que Jenkins e sua família foram “arrastados pelo inferno”. O presidente também afirmou que o ex-xerife foi vítima de uma perseguição promovida pelo que chamou de “monstros da esquerda radical” e criticou o juiz do caso, Robert Ballou, nomeado pelo presidente anterior, Joe Biden. Trump alegou que Ballou impediu Jenkins de apresentar provas em sua defesa.

Apesar das críticas, o julgamento foi conduzido por um júri, e a promotoria destacou que Jenkins violou seu juramento ao usar o cargo para benefício pessoal. O então procurador interino da Virgínia afirmou que o caso demonstrou que autoridades que se aproveitam de suas posições serão responsabilizadas.

Jenkins, que assumiu o cargo de xerife em 2012 e foi reeleito em 2015 e 2019, havia pedido ajuda diretamente a Trump após sua condenação. Em abril, ele participou de uma transmissão online afirmando que, se o presidente conhecesse sua história, ele o ajudaria.

Com esse perdão, Jenkins se junta a uma lista crescente de aliados e apoiadores de Trump que receberam perdão presidencial. Desde o início de seu novo mandato, Trump já concedeu milhares de perdões, incluindo a pessoas envolvidas na invasão ao Capitólio em 2021.

A Constituição dos Estados Unidos garante ao presidente o poder de conceder perdões para crimes federais, exceto em casos de impeachment. O perdão encerra qualquer punição futura e restaura direitos civis, como o de votar e concorrer a cargos públicos.

Foto: AFP/Getty Images

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