Desemprego entre negros dispara nos EUA durante governo Trump

Por Repórter de notícias dos EUA – Newsweek

O desemprego entre trabalhadores negros nos Estados Unidos registrou forte alta sob a administração do presidente Donald Trump, contrariando promessas de campanha voltadas à preservação de empregos para essa parcela da população. Dados ajustados sazonalmente divulgados pelo Bureau of Labor Statistics (BLS) na sexta-feira mostram que a taxa de desemprego entre negros subiu de 7,2% em julho para 7,5% em agosto, o maior patamar desde outubro de 2021. Para efeito de comparação, a taxa geral ficou em 4,3%, enquanto entre brancos foi de 3,7%.

Embora a diferença entre as taxas de desemprego de negros e brancos seja uma característica histórica do mercado de trabalho americano, o aumento recente chama atenção. Desde janeiro, o desemprego entre brancos cresceu 0,3 ponto percentual, enquanto entre negros o avanço foi de 1,3 ponto, concentrado principalmente nos últimos três meses.

Segundo Gary Hoover, professor do Departamento de Economia da Tulane University, parte desse aumento está relacionada à alta presença de trabalhadores negros no setor público federal. Um relatório do Pew Research Center, divulgado em janeiro, apontou que negros representavam 18,6% da força de trabalho federal, apesar de corresponderem a 12,8% da população. Com os cortes amplos promovidos pelo governo Trump, esses trabalhadores foram especialmente afetados.

A consultoria Challenger, Gray & Christmas revelou que ações do Departamento de Eficiência Governamental (DOGE) foram o principal motivo para anúncios de demissões em 2025, totalizando 292.279 cortes planejados. Já a organização Partnership for Public Service informou que quase 200 mil servidores federais deixaram seus cargos devido às reduções promovidas pela administração.

Em resposta, o governo Trump afirma estar investindo em iniciativas para fortalecer a transição da educação para o mercado de trabalho, especialmente para negros. Em abril, foi assinada uma ordem executiva criando um novo conselho para universidades historicamente negras (HBCUs), com o objetivo de ampliar parcerias com empregadores e facilitar o acesso a recursos federais. Outra medida, o One Big Beautiful Bill Act, sancionado em 4 de julho de 2025, permite dedução de até US$ 25 mil em gorjetas na declaração de renda, beneficiando trabalhadores do setor de serviços, onde há grande presença de negros.

Especialistas ouvidos pela Newsweek, como a economista Marlene Kim, destacam que o aumento do desemprego entre negros reflete também uma piora geral do mercado de trabalho, que criou apenas 22 mil vagas em agosto, muito abaixo das expectativas. O número de desempregados já supera o total de vagas abertas, algo que não ocorria desde abril de 2021, sinalizando dificuldades mais amplas na economia.

Heather Long, economista-chefe do Navy Federal Credit Union, ressaltou que, em períodos de crise, jovens e negros costumam ser os primeiros a sofrer com demissões. Gary Hoover, da Tulane, reforçou que choques macroeconômicos costumam afetar mais fortemente os trabalhadores negros, e que esse movimento pode ser um sinal de alerta para uma recessão iminente.

Historicamente, a taxa de desemprego entre negros chegou a 16,8% após a Grande Recessão de 2010, recuou para 5,3% em 2019, voltou ao mesmo patamar durante a pandemia de 2020 e atingiu o recorde de baixa de 4,8% em abril de 2023. Com as recentes revisões negativas nos dados do mercado de trabalho e a promessa de novos cortes no setor público, o cenário para trabalhadores negros permanece desfavorável, especialmente diante da possibilidade de uma recessão.

Foto: Phelan M. Ebenhack/AP Photo

Fonte: Newsweek

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