BOSTON, Mass. — Uma mãe cabo-verdiana de Rhode Island está detida há quase duas semanas no aeroporto Logan, em Boston. O governo federal agora planeja transferi-la para uma unidade no Maine, já que o prazo judicial para que as autoridades expliquem por que ela continua sob custódia está prestes a expirar.
Segundo documentos judiciais, as autoridades de imigração e alfândega têm tentado encontrar um local adequado para deter Eva Mendes, de 48 anos, admitindo que o lugar onde ela está há 12 dias não é apropriado para permanências prolongadas.
“Eu tive que concordar com isso. Não há camas em nenhum lugar de Massachusetts para mulheres. Isso é uma violação dos direitos das mulheres”, disse o advogado de imigração de Mendes, Todd Pomerleau.
Ele afirmou que conseguiu falar com Mendes pela primeira vez no sábado.
“Eles nem dizem à pessoa por que ela está detida. Ela perdeu o nascimento do primeiro neto”, relatou. “Ela chorou durante toda a ligação.”
Mendes, mãe de 6 filhos, possui green card desde os 8 anos de idade, segundo Pomerleau. Ela foi detida em 5 de novembro pela Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA (CBP) no aeroporto Logan, após retornar de Cabo Verde.
“Foi a primeira vez que ela viu a mãe em 40 anos. Ela precisou viajar porque o irmão morreu. E, apesar de enterrar o irmão e rezar com a família, ela ainda ficou detida no aeroporto por duas semanas”, disse Pomerleau.
O CBP afirmou que Mendes foi retida por causa de seu “histórico criminal e condenações anteriores”, mas não deu mais detalhes.
“Ela tem uma acusação leve, de cerca de 20 anos atrás, em que declarou ‘não contestar’. Eu não acho que seja isso, porque existe algo chamado exceção de infração leve na lei”, explicou Pomerleau. “Ela teve algumas infrações quando era jovem, com 18, 19 anos, antes de 1997. Essas não podem ser usadas por causa de uma decisão da Suprema Corte dos EUA que eu conheço bem possivelmente porque eu mesmo já venci um caso assim.”
Documentos judiciais apresentados na sexta-feira afirmam que, “apesar dos melhores esforços, ICE e CBP não conseguiram garantir um espaço adequado para a peticionária em uma unidade em Massachusetts”.
Kerry Doyle, ex-vice-conselheira geral do Departamento de Segurança Interna, disse que as agências estão enfrentando problemas devido à capacidade limitada de detenção.
“Simplesmente não têm lugares para colocar muitas pessoas neste momento”, afirmou.
Doyle explicou que detentos mantidos em instalações de aeroportos têm dificuldade para acessar comida e chuveiros, comparando a experiência à de pessoas detidas na fronteira, cujas famílias não conseguem localizá-las.
“Se você está viajando e já teve qualquer interação com a polícia ou o sistema de justiça criminal, ou já compareceu a um tribunal por qualquer motivo, em qualquer momento pode ter sido há 20 ou 30 anos você precisa conversar com um advogado de imigração confiável antes de pensar em sair do país”, aconselhou.
Pomerleau disse que sua cliente consultou as autoridades de imigração antes de viajar e supostamente foi informada de que não teria problema para retornar. O Departamento de Segurança Interna não respondeu ao pedido de comentário sobre essa alegação nem a perguntas sobre do que Mendes está sendo acusada.
Foto: NBC Boston




