Preços da gasolina caem ao menor nível em quase cinco anos nos EUA

Por 

Os preços da gasolina nos Estados Unidos atingiram o menor valor em mais de quatro anos, segundo dados da plataforma de economia de combustível GasBuddy, sediada em Dallas. A média nacional do galão de gasolina comum recuou para US$ 2,897, marca que não era registrada desde maio de 2021. Patrick De Haan, chefe de análise de petróleo da GasBuddy, publicou no X que o preço médio ficou abaixo de US$ 2,90 pela primeira vez em 1.680 dias. Apesar disso, ele minimizou o impacto ao Newsweek, afirmando que o valor atual está apenas sete centavos abaixo do registrado há um ano. A Casa Branca foi procurada pelo Newsweek para comentar o cenário, mas não respondeu dentro do horário comercial na segunda-feira.

A variação no custo dos combustíveis tem grande peso na percepção dos eleitores. Durante a administração Biden, a combinação de inflação alta e gasolina cara aumentou o descontentamento popular e fortaleceu o apoio a Donald Trump, que prometia reduzir o custo de vida. Quase um ano após retornar à Casa Branca, Trump ainda não cumpriu a promessa feita em agosto de 2024 de baixar os preços “no primeiro dia”. Sua aprovação caiu nas últimas semanas: segundo análise do New York Times, 55% dos eleitores desaprovam seu desempenho, enquanto 42% aprovam. A avaliação sobre sua condução da economia também caiu de 43% em julho para 36% em novembro.

Nos dias que antecederam o feriado de Ação de Graças, quase todos os estados registraram queda nos preços médios, segundo De Haan. A média nacional ficou abaixo de US$ 3 por vários dias consecutivos. Dados da GasBuddy mostram que o galão custava US$ 2,908 em 8 de dezembro, abaixo do valor de uma semana antes (US$ 2,950), de um mês antes (US$ 3,079) e também do preço registrado no mesmo período do ano anterior (US$ 2,995). A Califórnia segue como o estado mais caro, com média de US$ 4,414, enquanto Oklahoma apresenta o menor valor, com US$ 2,298 por galão.

Especialistas afirmam que a queda não está relacionada a ações da administração Trump. De Haan disse ao Newsweek que o movimento é impulsionado por fatores globais e sazonais, como o fim de manutenções em refinarias, aumento na produção, petróleo em níveis baixos e a ampliação da oferta por parte da Opep. Em um blog recente, ele explicou que essas condições criam um cenário favorável para a continuidade da redução dos preços nas próximas semanas.

As reações políticas, contudo, variam. Em publicações no X, De Haan ressaltou que nem toda queda no preço da gasolina sinaliza crise, às vezes, trata-se simplesmente de oferta atendendo à demanda. Trump declarou a jornalistas em novembro que “todos os preços estão caindo” e que a gasolina estaria “quase em US$ 2”. Já a porta-voz da Casa Branca, Taylor Rogers, afirmou ao Politico que a redução é resultado da “agenda de dominância energética” do presidente, citando a retirada de regulações que, segundo ela, permitiram que empresas de petróleo e gás ampliassem a produção.

Quando Trump reassumiu a presidência, o preço médio do galão estava em US$ 3,125, de acordo com a American Automobile Association (AAA). Embora o valor atual esteja abaixo de US$ 3 e represente o menor nível desde 2021, o país ainda está longe da meta de reduzir a média nacional para menos de US$ 2. De Haan observou que algumas dezenas de postos já praticam preços abaixo desse patamar e que esse número pode aumentar ao longo da temporada de festas, impulsionado pela demanda mais fraca. Ainda assim, ele afirmou ao Newsweek que não existe qualquer possibilidade de a média nacional cair outros 90 centavos para alcançar US$ 1,99, a menos que ocorra uma grave contração econômica global ou uma nova pandemia.

Foto: THE CANADIAN PRESS/Christopher Katsarov

Fonte: Newsweek

Share this post :

Facebook
Twitter
LinkedIn
Pinterest

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *