Por Philippa Roxby – BBC News
Autoridades de saúde do Reino Unido identificaram uma nova cepa de mpox — doença anteriormente conhecida como varíola dos macacos — em um paciente que havia retornado recentemente de uma viagem à Ásia. Segundo o UK Health Security Agency (UKHSA), o vírus combina características de dois grandes grupos já conhecidos: os clados Ib e IIb, este último associado ao surto global registrado em 2022. A nova variante ainda não recebeu nome oficial.
O UKHSA afirma que a evolução viral é esperada e segue em análise para determinar a relevância e o potencial impacto dessa combinação genética. Apesar da novidade, a agência reforça que a vacinação continua sendo a melhor forma de proteção contra quadros graves da doença, com eficácia estimada entre 75% e 80%. Embora ainda não existam estudos específicos sobre a proteção contra essa nova cepa, especialistas acreditam que o imunizante deve oferecer alto nível de defesa.
No Reino Unido, a vacina está disponível para grupos com maior risco de exposição, incluindo pessoas com múltiplos parceiros sexuais, envolvidas em práticas sexuais em grupo ou que frequentam locais destinados ao sexo. A detecção da variante foi possível graças a testes genômicos, segundo a Dra. Katy Sinka, chefe de infecções sexualmente transmissíveis do UKHSA. Ela destacou que análises adicionais serão importantes para compreender como o vírus está mudando.
Especialistas também mostram preocupação com a capacidade de vigilância em outras regiões do mundo. A professora Trudie Lang, diretora da Global Health Network da Universidade de Oxford, afirmou que o Reino Unido possui sistemas eficientes para rastrear e controlar casos, mas populações mais vulneráveis enfrentam desafios maiores, sobretudo onde o acesso a vacinas é limitado. Para ela, caso mais infecções relacionadas à nova cepa apareçam, será essencial avaliar como o vírus está sendo transmitido e o grau de gravidade dos casos.
De acordo com dados globais, foram registrados quase 48 mil casos de mpox em 2025, sendo 2.500 apenas no último mês, com predominância na África Central. A Dra. Boghuma Titanji, da Emory University, alertou que o surgimento dessa variante era uma possibilidade esperada, dada a circulação ampla do vírus: quanto mais o mpox se espalha, maiores são as chances de recombinação e adaptação.
O mpox costuma causar lesões ou erupções na pele que podem durar entre duas e quatro semanas, além de febre, dores de cabeça, dores musculares, fadiga e desconforto geral. A transmissão ocorre por contato físico próximo, gotículas respiratórias ou toque em roupas e objetos contaminados. Autoridades britânicas orientam que pessoas com suspeita da doença procurem o serviço NHS 111 para receber instruções sobre o que fazer.
Foto: Getty Images
Fonte: BBC News






