Governo Trump envia cerca de 2 mil agentes federais a Minneapolis em nova ofensiva migratória

Por Danya Gainor e Priscilla Alvarez – CNN

Cerca de 2 mil agentes federais estão sendo enviados a Minneapolis como parte de uma intensificação da política migratória do governo do presidente Donald Trump. A informação foi confirmada por dois integrantes das forças de segurança à CNN. A operação acontece em um momento de forte instabilidade política em Minnesota, marcado por denúncias de fraude em programas de assistência infantil, aumento da retórica do governo federal contra a comunidade somali e pela decisão do governador Tim Walz de não disputar a reeleição.

Agentes do Immigration and Customs Enforcement (ICE) e da U.S. Border Patrol já estão atuando na região, e a expectativa é que o comandante da U.S. Customs and Border Protection, Gregory Bovino, conhecido por táticas controversas em outras cidades, também participe da mobilização. A escalada ocorre dias após um criador de conteúdo conservador divulgar um vídeo no YouTube com alegações pouco comprovadas de fraude envolvendo creches administradas por somalis em Minneapolis. Após a divulgação, o governo Trump congelou repasses federais destinados ao cuidado infantil e intensificou as críticas à comunidade, alvo recorrente de declarações ofensivas do presidente.

O envio dos agentes coincide com o anúncio de Tim Walz de que não buscará um novo mandato. Crítico da presença de forças federais em cidades americanas, o governador afirmou que a pressão política gerada pelas acusações e por ataques do governo federal e de aliados da direita influenciou sua decisão. Embora não seja acusado de irregularidades, Walz passou a ser responsabilizado por republicanos pela suposta falha na fiscalização dos programas sociais do estado. Ele afirmou apoiar a investigação federal e disse que é fundamental garantir a confiança da população no sistema de assistência.

A nova ofensiva reacende o temor na comunidade somali de Minneapolis e St. Paul. Em dezembro, após declarações de Trump pedindo que somalis deixassem o país, agentes federais realizaram operações semelhantes na região, provocando protestos e confrontos. A maioria dos somalis que vivem em Minnesota é cidadã americana: cerca de 58% nasceram nos Estados Unidos e, entre os imigrantes, 87% são cidadãos naturalizados, segundo o US Census Bureau. Mesmo assim, muitos relataram medo de abordagens e passaram a circular com documentos de identificação.

Desta vez, o Departamento de Segurança Interna afirmou ter encontrado dificuldades para acomodar os agentes mobilizados, alegando que hotéis da rede Hilton teriam cancelado reservas em Minneapolis. A empresa declarou que as decisões partiram de um hotel operado de forma independente pela Everpeak Hospitality e que não refletem os valores da rede, versão contestada pelo DHS, que afirma não ter sido procurado pela operadora.

Paralelamente, o Departamento de Saúde e Serviços Humanos mantém congelados os pagamentos federais de assistência infantil ao estado, que somam cerca de US$ 185 milhões por ano e atendem aproximadamente 19 mil crianças. Embora inspeções recentes tenham indicado que as creches citadas no vídeo operavam normalmente, as investigações seguem em andamento. O governo federal deu prazo para que Minnesota apresente auditorias detalhadas e dados administrativos, enquanto milhares de famílias permanecem sem saber quando os recursos serão restabelecidos.

As acusações também avançam no Congresso. Parlamentares republicanos de Minnesota devem depor nesta semana no Comitê de Supervisão da Câmara dos Estados Unidos. O presidente do colegiado, James Comer, convidou Tim Walz e o procurador-geral do estado, Keith Ellison, para uma audiência em fevereiro, alegando que alertas anteriores sobre possíveis fraudes teriam sido ignorados. Líderes comunitários reagiram às generalizações e afirmam que casos isolados estão sendo usados para estigmatizar toda a comunidade somali, formada majoritariamente por trabalhadores, estudantes e pequenos empresários que contribuem para a economia e a vida cívica do estado.

Foto: Christopher Juhn/Anadolu/Getty Images

Fonte: CNN

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