Inflação ao consumidor nos EUA sobe em dezembro, pressionada por alimentos e aluguéis

Por Lucia Mutikani – Reuters

WASHINGTON — A inflação ao consumidor nos Estados Unidos voltou a subir em dezembro, impulsionada principalmente pelo aumento dos preços dos alimentos e dos aluguéis, segundo dados divulgados nesta terça-feira pelo Departamento do Trabalho. O resultado reforça a expectativa de que o Federal Reserve (Fed) mantenha as taxas de juros inalteradas em sua reunião deste mês, embora cortes ao longo do ano ainda não estejam descartados.

O Índice de Preços ao Consumidor (CPI, na sigla em inglês) avançou 0,3% em dezembro. O principal fator de pressão foi o custo de moradia, que inclui os aluguéis e subiu 0,4%. No acumulado de 12 meses até dezembro, o CPI registrou alta de 2,7%, repetindo o mesmo ritmo observado em novembro e ficando dentro das expectativas do mercado.

Os preços dos alimentos tiveram um aumento expressivo de 0,7% no mês, o maior desde outubro de 2022. Houve elevações relevantes em frutas, vegetais e laticínios. A carne bovina subiu 1%, com o preço dos bifes avançando 3,1% em dezembro e acumulando alta anual de 17,8%, o maior aumento em quatro anos. O café ficou 1,9% mais caro, reflexo das tarifas de importação, enquanto os ovos registraram queda de 8,2%.

A alimentação fora de casa também encareceu: restaurantes e outros estabelecimentos tiveram aumento de 0,7% nos preços, igualmente o maior desde outubro de 2022. No total, os preços dos alimentos subiram 3,1% em relação a dezembro do ano anterior. Economistas afirmam que, embora o governo Trump tenha recuado em algumas tarifas agrícolas para aliviar os preços, os consumidores ainda devem demorar a sentir esses efeitos.

A energia teve alta de 0,3%, puxada por um salto de 4,4% no preço do gás natural, que compensou a queda de 0,5% na gasolina. A eletricidade recuou 0,1% no mês, mas acumula alta de 6,7% em 12 meses, influenciada pelo aumento da demanda de data centers em meio ao boom de investimentos em inteligência artificial.

A inflação elevada tem pesado sobre a confiança dos consumidores e afetado a popularidade do presidente Donald Trump, tornando-se um tema central no cenário político. Economistas apontam que as famílias sentem mais diretamente o impacto dos preços de alimentos e aluguéis do que indicadores técnicos de inflação. Segundo Sung Won Sohn, professor de economia e finanças da Loyola Marymount University, a alta nos preços dos alimentos influencia a percepção pública, negociações salariais e o comportamento econômico.

Ao excluir alimentos e energia, considerados mais voláteis, o núcleo do CPI subiu 0,2% em dezembro, acumulando alta anual de 2,6%, mesma taxa de novembro. Alguns componentes, porém, mostraram pressão maior, como tarifas aéreas, que avançaram 5,2%, hotéis e motéis, com alta de 2,9%, vestuário, que subiu 0,6%, e custos de saúde, com aumento de 0,4%. Em contrapartida, veículos usados caíram 1,1% e serviços de telefonia móvel recuaram 3,3%.

Economistas destacam que distorções provocadas pela paralisação do governo federal no fim de 2024 ainda afetam os dados de inflação, especialmente nos aluguéis. Há expectativa de que o núcleo da inflação possa acelerar em janeiro, quando empresas costumam aplicar reajustes no início do ano.

Com base nos dados do CPI, analistas estimam que o núcleo do índice de preços de gastos com consumo pessoal (PCE), referência do Fed para a meta de 2%, tenha subido 0,46% em dezembro, o que representaria uma alta anual de 2,9%.

O Fed deve manter a taxa básica de juros na faixa de 3,50% a 3,75% na reunião marcada para 27 e 28 de janeiro. Tensões recentes entre o presidente do Fed, Jerome Powell, e Donald Trump reduziram as expectativas de um corte de juros antes do fim do mandato de Powell como presidente do banco central, em maio. Economistas avaliam que o episódio pode levar o Fed a adotar uma postura mais cautelosa para reforçar sua independência institucional.

Foto: REUTERS/Mike Segar

Fonte: Reuters

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