Varias vítimas do Epstein reclamam de edição seletiva de arquivos que as expõe e protege pedófilos

WASHINGTON, D.C. — Várias sobreviventes de Jeffrey Epstein estão solicitando que um órgão de fiscalização do Departamento de Justiça (DOJ) revise a divulgação de arquivos relacionados ao falecido criminoso sexual, afirmando que os documentos publicados até agora não protegeram adequadamente as vítimas.

Em uma carta enviada na quarta-feira ao Gabinete do Inspetor-Geral do DOJ, um órgão independente, 19 sobreviventes criticaram o processo de edição (redaction) adotado pela agência. Elas pedem que o inspetor-geral revise a forma como as tarjas de sigilo foram aplicadas nos arquivos já divulgados e que supervise a liberação futura de documentos.

“Nos arquivos divulgados até agora, houve um padrão preocupante de edições seletivas”, escreveram as sobreviventes. “Em vários casos, nomes de indivíduos que supostamente participaram ou facilitaram abusos parecem ter sido ocultados, enquanto detalhes que identificam as sobreviventes foram deixados visíveis. Em alguns casos, nomes de sobreviventes, identificadores contextuais ou outras informações suficientes para identificá-las publicamente não foram protegidos de forma adequada.”

Elas acrescentaram: “Essa disparidade é profundamente preocupante. Qualquer divulgação de registros que envolvam exploração sexual deve priorizar a segurança, a privacidade e a dignidade das sobreviventes.”

A carta surge em um momento em que o Departamento de Justiça enfrenta forte pressão para liberar todos os arquivos, conforme determinado em dezembro como parte da Lei de Transparência dos Arquivos Epstein (Epstein Files Transparency Act). A legislação foi aprovada com apoio bipartidário no Congresso e sancionada pelo presidente Donald Trump após meses de resistência sobre o tema.

Autoridades do Departamento de Justiça afirmaram que estão agindo de boa-fé para liberar o máximo de material possível no menor tempo viável, enquanto realizam uma análise minuciosa de cada arquivo para garantir que as identidades das vítimas sejam protegidas, conforme exige a lei.

O Departamento de Justiça informou no início deste mês que liberou menos de 1% dos arquivos relacionados a Epstein e que ainda revisa mais de 2 milhões de documentos.

Foto: NBC News

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