Por Ana Faguy – BBC News
O principal responsável pelas ações de imigração em Minneapolis deve deixar a cidade nos próximos dias, em meio à crescente pressão política e popular após a morte de um segundo cidadão americano durante operações federais. A saída do comandante da Patrulha de Fronteira, Gregory Bovino, acontece após o assassinato do enfermeiro Alex Pretti, baleado por agentes no último sábado, episódio que intensificou protestos e críticas à condução da repressão migratória no estado de Minnesota.
Com a retirada de Bovino e de parte das equipes federais, o governo do presidente Donald Trump anunciou que o chamado “czar da fronteira”, Tom Homan, passará a comandar pessoalmente as operações em campo na cidade. A decisão é vista como um possível sinal de recuo no tom mais agressivo adotado pela Casa Branca, embora monitoramentos online indiquem que as batidas de imigração continuam ocorrendo.
A mudança ocorre em um momento de forte desgaste para a administração federal. Trump passou a adotar uma postura mais conciliadora nos últimos dias, incluindo telefonemas com líderes democratas locais e estaduais, que classificou como positivos. O presidente também evitou repetir declarações de assessores que tentaram responsabilizar Pretti pela própria morte.
O caso provocou reações até mesmo dentro do Partido Republicano. Um candidato republicano ao governo estadual, Chris Madel, abandonou a disputa chamando a operação em Minnesota de “um desastre total”. Madel é advogado criminalista e prestou assessoria ao agente envolvido na morte de Renee Good, outra cidadã americana baleada por um agente federal em Minneapolis no início de janeiro.
Gregory Bovino esteve à frente da operação desde o início e foi uma das figuras mais visíveis da repressão migratória, aparecendo frequentemente em redes sociais e vídeos promocionais das ações. Após a morte de Pretti, Bovino afirmou que o enfermeiro teria a intenção de “massacrar” agentes federais, declaração que gerou revolta entre manifestantes. O Departamento de Segurança Interna (DHS) alegou que os agentes agiram em legítima defesa, afirmando que Pretti portava uma arma e resistiu à abordagem.
No entanto, testemunhas, autoridades locais e a família da vítima contestam essa versão. Análises de vídeos feitas pela BBC Verify indicam que não há sinais de uma arma nas mãos de Pretti, que aparece segurando apenas um celular. A família acusou o governo de espalhar “mentiras repugnantes” sobre o ocorrido.
A tensão segue elevada na região. Moradores relatam medo de sair de casa e dificuldade para trabalhar. Protestos, vigílias e homenagens a Pretti continuam, incluindo manifestações em frente ao hotel onde Bovino estaria hospedado. Alex Pretti, de 37 anos, era enfermeiro e se tornou o segundo morador de Minneapolis morto por agentes federais desde a chegada das forças de imigração à cidade.
A operação federal em Minnesota começou em dezembro, após a condenação de imigrantes somalis em um grande esquema de fraude envolvendo programas de assistência social. O estado abriga a maior comunidade somali dos Estados Unidos, e a presença de cerca de 3 mil agentes federais gerou forte reação local.
Em declarações recentes, Trump afirmou que seu objetivo é combater “qualquer criminoso” e indicou abertura para reduzir o número de agentes no estado. Após conversa com o presidente, o governador de Minnesota, Tim Walz, disse que a Casa Branca se comprometeu a avaliar a diminuição das forças federais e a garantir uma investigação independente sobre a morte de Pretti, conduzida pelo Bureau de Apreensão Criminal de Minnesota.
O prefeito de Minneapolis, Jacob Frey, também descreveu o diálogo com Trump como produtivo e afirmou que pretende se reunir com Tom Homan para discutir os próximos passos. Enquanto isso, parlamentares de diferentes partidos seguem cobrando uma apuração ampla, transparente e independente sobre a atuação dos agentes federais e as circunstâncias das mortes ocorridas durante as operações de imigração.
Foto: Getty Images
Fonte: BBC News



