Governo Trump quer acelerar a contratação de imigrantes nas fazendas

WASHINGTON, D.C. — Em 1º de janeiro, novas regras emergenciais entraram em vigor, permitindo que fazendas dos Estados Unidos contratem mais trabalhadores e paguem salários menores a migrantes que chegam com vistos temporários de trabalho H-2A.

A secretária de Agricultura, Brooke Rollins, apresentou as mudanças como uma forma de ajudar agricultores que enfrentam dificuldades para encontrar trabalhadores americanos.

“Estamos trabalhando para fazer mudanças muito rápidas, o mais rápido possível, basicamente para abrir o mercado para que essas questões de mão de obra possam ser resolvidas”, disse Rollins.

No outono passado, quando a equipe de Trump propôs as novas regras, deixou a situação ainda mais clara: as operações de deportação do governo e o endurecimento do controle na fronteira estavam agravando a já crônica escassez de trabalhadores no setor agrícola. Trump realizou um grande esforço de deportação em todo o país, com alguns críticos alertando que isso poderia afetar fazendas onde migrantes trabalhavam. Eles advertiram que uma redução no número de trabalhadores rurais poderia levar ao aumento dos preços dos alimentos.

“A quase total interrupção da entrada de imigrantes ilegais, combinada com a falta de uma força de trabalho legal disponível, resulta em grandes interrupções nos custos de produção e ameaça a estabilidade da produção doméstica de alimentos e os preços para os consumidores americanos”, alertou o Departamento do Trabalho, acrescentando que o reforço da fiscalização imigratória sob a lei chamada “One Big Beautiful Bill”, de Trump, poderia eliminar outros 225 mil trabalhadores rurais.

A questão da mão de obra nas fazendas americanas é politicamente complicada para o presidente.

As áreas agrícolas tendem a votar nos republicanos, mas cerca de 40% da força de trabalho agrícola não tem permissão legal para trabalhar nos Estados Unidos.

Essa tensão pode ser vista na ampla variedade de respostas à política agrícola do presidente.

Alguns proprietários de fazendas dizem que contratariam mais trabalhadores americanos se pudessem, mas que os americanos não querem esses empregos e os trabalhadores migrantes se tornaram uma parte essencial do negócio.

“Se esse programa acabasse amanhã, a agricultura deixaria de existir”, disse recentemente Walter King, um dos coproprietários da Nelson-King Farms, na região do Delta do Mississippi, à revista The New Yorker.

Enquanto isso, desde agricultores americanos até grupos trabalhistas e defensores de restrições à imigração criticaram a posição do governo Trump em relação aos vistos H-2A.

“Não acho justo que nosso pagamento seja reduzido tanto”, disse ao The New York Times uma trabalhadora rural sem documentos em Idaho, que se identificou como Maria, temendo que seu salário caia de 17 para 11 dólares por hora com as novas regras.

O sindicato United Farm Workers entrou com uma ação judicial contra a mudança nas regras, alegando que o público não teve oportunidade adequada de comentar e argumentando que o novo sistema H-2A prejudicará trabalhadores estrangeiros e americanos.

“Não há nada de ‘America First’ em expandir programas exploratórios de trabalhadores convidados que prejudicam e substituem trabalhadores americanos”, disse a presidente do sindicato, Teresa Romero, em um comunicado divulgado em novembro, quando o processo foi anunciado, referindo-se ao slogan “America First” do presidente Trump.

Foto: Politico.com

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