Brasileiro é condenado por esquema de venda de carteira de motorista de New York

BOSTON, Mass. — Gabriel Nascimento de Andrade, de 27 anos, se declarou culpado de uma acusação de conspiração para produzir ilegalmente e possuir, com intenção de transferir, documentos de identificação, informou a promotora federal Leah Foley em comunicado.

A juíza distrital dos Estados Unidos, Margaret R. Guzman, marcou a sentença para o dia 9 de abril.

Nascimento de Andrade é a terceira pessoa a se declarar culpada no caso. Ele foi acusado em dezembro de 2024 junto com quatro co-conspiradores.

Cesar Agusto Marin Reis foi condenado a 290 dias de prisão em setembro, e Helbert Costa Generoso foi condenado a nove meses de prisão em outubro.

De novembro de 2020 a setembro de 2024, promotores afirmam que Nascimento de Andrade e seus co-conspiradores obtiveram de forma fraudulenta carteiras de motorista para clientes imigrantes em situação irregular que viviam em estados que proibiam essas pessoas de obter o documento.

Antes de julho de 2023, imigrantes em situação irregular que viviam em Massachusetts não podiam obter carteiras de motorista do estado. Já a partir de 2019, imigrantes em situação irregular residentes em New York passaram a ser elegíveis para obter o documento no estado.

Segundo a promotoria, Gabriel Nascimento de Andrade e seus co-conspiradores conspiraram para obter de forma fraudulenta carteiras de motorista de New York para clientes que não residiam no estado, incluindo moradores de Massachusetts. Após julho de 2023, o esquema também passou a buscar carteiras de motorista de Massachusetts para clientes que não residiam no estado.

Os envolvidos cobravam dinheiro dos clientes em troca da obtenção fraudulenta das carteiras de motorista.

Em um caso citado pelos promotores, em 24 de abril de 2024, Nascimento de Andrade solicitou e aceitou US$ 450 em dinheiro de um cliente no estacionamento de uma unidade do RMV em Plymouth, em troca de fornecer uma conta de TV a cabo falsa para ser apresentada ao RMV, indicando falsamente que o cliente residia em um endereço em Massachusetts.

Em New York, antes de obter uma carteira de motorista, os candidatos precisavam passar em um teste escrito para permissão e concluir um curso de educação para motoristas em uma autoescola do estado. Quem fazia o teste online era obrigado pelo Departamento de Veículos Motorizados de New York a tirar uma foto de si mesmo com a webcam durante o exame para comprovar a identidade.

Para evitar que os clientes precisassem fazer os testes, promotores afirmam que Gabriel Nascimento de Andrade e seus co-conspiradores obtinham várias fotos dos clientes sentados, fazendo parecer que estavam realizando os exames.

Eles também teriam feito os testes online no lugar dos clientes. Quando o DMV de New York solicitava fotos durante os exames, os suspeitos enviavam as imagens previamente fornecidas pelos clientes, simulando que eram os próprios candidatos que estavam realizando as provas.

Além disso, os co-conspiradores teriam criado certificados falsos de conclusão de cursos de direção supostamente emitidos por autoescolas de New York, falsificando assinaturas de funcionários dessas instituições e fornecendo os documentos aos clientes para apresentação ao DMV.

O DMV de New York também exige que os candidatos compareçam pessoalmente a uma unidade no estado e apresentem documentos que comprovem identidade e residência. Para isso, os suspeitos organizavam encontros com clientes baseados em Massachusetts, geralmente vários ao mesmo tempo, e os levavam de carro até unidades do DMV em New York.

Segundo os promotores, Nascimento de Andrade e seus co-conspiradores solicitaram de forma fraudulenta carteiras de motorista para mais de 1.000 clientes, obtiveram o documento para mais de 600 deles e arrecadaram pelo menos centenas de milhares de dólares com o esquema.

Pela acusação de conspiração para produzir ilegalmente e possuir, com intenção de transferir, documentos de identificação, Nascimento de Andrade pode pegar até cinco anos de prisão, além de até três anos de liberdade supervisionada e multa de até US$ 250 mil.

Foto: GovTech

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