Estudo no Chile descobre que males do adoçante passam para outra geração

O consumo de adoçantes, como sucralose e estévia, pode influenciar não apenas a saúde de uma pessoa, mas também a das futuras gerações, aponta um novo estudo realizado em camundongos.

Foi constatado que os adoçantes têm um efeito negativo na expressão gênica e na composição do microbioma, e que esse efeito foi transmitido aos descendentes.

Os adoçantes não nutritivos são uma alternativa ao açúcar, podendo ser mais de 200 vezes mais doces, mas com poucas ou nenhuma caloria. Eles foram originalmente desenvolvidos para reduzir as consequências metabólicas do consumo excessivo de açúcar. Hoje, são amplamente utilizados em alimentos ultraprocessados e refrigerantes diet, podendo ajudar as pessoas a controlar a ingestão calórica, o nível de açúcar no sangue e o peso.

No entanto, vêm surgindo preocupações sobre os efeitos adversos dos adoçantes não nutritivos, com estudos indicando que eles podem acelerar o declínio cognitivo, aumentar o risco de ataque cardíaco e derrame, além de suprimir células do sistema imunológico.

Os adoçantes também podem interferir no metabolismo energético e potencialmente aumentar o risco de doenças metabólicas, incluindo diabetes e doenças cardiovasculares.

A doutora Francisca Concha Celume, da Universidade do Chile, e sua equipe buscaram entender os efeitos de longo prazo do consumo de adoçantes no microbioma intestinal e na saúde metabólica, e se isso influencia as futuras gerações.

Os camundongos foram divididos em três grupos: um recebeu apenas água, enquanto os outros dois receberam água com estévia ou sucralose. A dose de adoçante administrada foi comparável à quantidade que uma pessoa consumiria em uma dieta normal.

Os camundongos foram reproduzidos por duas gerações, e ambas receberam apenas água. Foram realizadas análises da expressão de genes no intestino e no fígado, como Tlr4, Tnf, Tjp1 e Srebp1, que estão envolvidos em inflamação, metabolismo e adesão celular. Esses genes foram escolhidos para ajudar a entender alguns dos fatores por trás dos possíveis impactos negativos dos adoçantes não nutritivos.

Amostras fecais foram coletadas para analisar mudanças no microbioma intestinal e na concentração de ácidos graxos de cadeia curta.

Cada geração também foi testada quanto à sensibilidade à glicose.

Cada adoçante apresentou efeitos ligeiramente diferentes em cada geração.

Nos camundongos que consumiram adoçantes, não houve mudança na tolerância à glicose nos grupos originais. No entanto, os descendentes de primeira e segunda geração dos camundongos que receberam sucralose apresentaram uma resposta prejudicada à glicose.

Os efeitos da estévia sobre a tolerância à glicose foram mais leves do que os da sucralose e foram observados apenas na primeira geração de descendentes.

Foto: Scimex

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