WASHINGTON, D.C. — O Departamento de Eficiência Governamental (DOGE), do presidente Donald Trump, afirmou ter economizado US$ 1,7 bilhão para os contribuintes ao identificar um único contrato de saúde do Pentágono. No entanto, o contrato nunca foi cancelado, e os contribuintes não economizaram dinheiro algum, segundo constatou um órgão federal de fiscalização.
O Government Accountability Office (GAO) divulgou seu relatório na quinta-feira. O documento concluiu que o DOGE não seguiu o próprio método declarado para calcular a maior parte das economias que informou ter obtido com contratos encerrados. No caso de subsídios, o DOGE não forneceu informações suficientes para verificar o método usado no cálculo de 96% das economias divulgadas. O GAO também constatou que o DOGE superestimou em mais de US$ 80 milhões as economias relacionadas a contratos de aluguel.
A organização temporária do DOGE encerrou formalmente suas atividades em 4 de julho, conforme estabelecido pela ordem executiva que a criou. O U.S. DOGE Service, de caráter mais amplo, continua funcionando. Em 7 de julho, a página “Wall of Receipts”, que reúne os valores das supostas economias, continuava no ar e não era atualizada desde 1º de janeiro. Os números contestados sobre as economias ainda estavam publicados na quinta-feira.
Em um dos casos, segundo o GAO, o DOGE afirmou ter economizado mais de US$ 1,7 bilhão em um contrato da Defense Health Agency para suporte de tecnologia da informação em mais de 700 instalações médicas militares ao redor do mundo. Inicialmente, o DOGE indicou o contrato para cancelamento. Porém, após uma reunião com autoridades do Pentágono, concordou que nenhuma medida deveria ser tomada. O contrato não foi cancelado e, portanto, nenhum dinheiro foi economizado, constatou o GAO. Mesmo assim, a suposta economia de US$ 1,7 bilhão continua aparecendo na página “Wall of Receipts”.
Os US$ 110 bilhões analisados pelo GAO abrangem apenas as economias que o DOGE alegou ter conseguido com contratos, subsídios e aluguéis. O site do DOGE informa uma economia total de US$ 215 bilhões em todas as categorias, incluindo venda de ativos, redução de funcionários e mudanças regulatórias. Esse número não mudou desde 1º de janeiro e representa apenas uma fração dos US$ 2 trilhões inicialmente sugeridos por Elon Musk.
O relatório foi solicitado pelos senadores Gary Peters, democrata de Michigan, e Richard Blumenthal, democrata de Connecticut, os principais representantes democratas no Comitê de Segurança Interna e Assuntos Governamentais do Senado e em seu Subcomitê Permanente de Investigações.
Peters classificou o DOGE como “um esforço improvisado e enganoso que induziu o povo americano ao erro”. Segundo ele, o órgão “alegou bilhões de dólares em economias que não conseguiu comprovar” e “assumiu o crédito por trabalhos que já estavam em andamento”.
Foto: Portal Vox




