Por Luke Barr e Bill Hutchinson – ABC News
O Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos (DHS, na sigla em inglês) iniciou nesta quarta-feira uma nova ação de fiscalização imigratória no estado do Maine. A operação, chamada de “Operation Catch of the Day”, integra a ofensiva nacional do governo federal contra a imigração ilegal e tem como alvo imigrantes em situação irregular com condenações criminais, segundo informou um porta-voz do órgão.
De acordo com a secretária-assistente do DHS, Tricia McLaughlin, a operação foi motivada, em parte, pela atuação de autoridades estaduais que defendem políticas de santuário. Ela citou diretamente a governadora do Maine, Janet Mills, democrata, e outros políticos com posições semelhantes.
Em comunicado oficial, McLaughlin afirmou que, no primeiro dia da operação, agentes federais prenderam imigrantes ilegais condenados por crimes como agressão agravada, cárcere privado e colocar em risco o bem-estar de uma criança. Segundo ela, sob a administração do presidente Donald Trump e da secretária do DHS, Kristi Noem, o governo não permitirá que “criminosos ilegais” ameacem a segurança da população.
Ainda não há informações sobre por quanto tempo agentes do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) permanecerão no Maine, nem se integrantes da Alfândega e Proteção de Fronteiras (CBP), que atuam atualmente em Minneapolis, serão deslocados para o estado.
A governadora Janet Mills, que teve embates recentes com o presidente Trump e atualmente concorre ao Senado dos Estados Unidos, ainda não comentou diretamente a operação do ICE. Em um vídeo publicado nas redes sociais no dia 14 de janeiro, ela afirmou que tentou, sem sucesso, obter detalhes junto ao governo federal sobre as ações planejadas no estado.
Segundo Mills, o governo estadual adotou medidas preventivas diante da possibilidade de uma ofensiva federal. Ela disse ter orientado a Polícia Estadual do Maine a trabalhar em conjunto com as forças de segurança locais para oferecer apoio antes e durante eventuais operações federais. A governadora também informou que sua administração manteve contato com autoridades municipais de Portland e Lewiston, as maiores cidades do estado, além do procurador-geral, para coordenar uma resposta conjunta.
“Se qualquer operação ocorrer, nosso objetivo será, como sempre, proteger a segurança e os direitos das pessoas do Maine”, afirmou Mills. Ela destacou ainda que as forças de segurança locais seguem padrões profissionais elevados, passam por treinamento rigoroso e são responsabilizadas pela lei, acrescentando que não utilizam máscaras para ocultar identidades nem realizam prisões para cumprir cotas.
Mills reiterou seu apoio ao direito da população de protestar, desde que de forma pacífica, e enviou um recado direto ao governo federal, afirmando que ações provocativas ou que violem direitos civis não são bem-vindas no estado.
Antes do início oficial da operação, o procurador dos Estados Unidos para o Distrito do Maine, Andrew Benson, divulgou um comunicado alertando que manifestações são permitidas, mas atos de violência contra agentes federais, destruição de patrimônio público ou obstrução de ações de fiscalização configuram crimes federais e serão processados com rigor.
A operação também gerou reação de autoridades locais. O prefeito de Lewiston, Carl Sheline, criticou duramente o ICE em nota divulgada na quarta-feira. Segundo ele, as táticas da agência promovem “terror e intimidação” e demonstram falta de humanidade e preocupação com o bem-estar básico das pessoas.
Sheline afirmou ainda que ações conduzidas por agentes mascarados e, segundo ele, sem respeito ao Estado de Direito causam danos duradouros ao Maine e ao país. “Lewiston defende a dignidade de todos que chamam o Maine de lar. Nunca deixaremos de cuidar dos nossos vizinhos”, declarou.
Foto: Douglas Rising/Getty Images
Fonte: ABC News







