Juíza manda soltar filipino que teve dedo amputado na cadeia em Tacoma

TACOMA, Washington — Uma juíza federal determinou que o ICE liberte imediatamente um imigrante filipino da detenção, ao concluir que o atendimento médico gravemente inadequado violou seus direitos constitucionais.

Em decisão com termos contundentes, a juíza Tana Lin afirmou que a detenção de Greggy Sorio havia se tornado uma punição inconstitucional devido a um “padrão de falhas no atendimento” por parte da equipe médica do Centro de Processamento do ICE Northwest, em Tacoma.

Sorio, de 37 anos, foi detido pelo ICE em março de 2025, após deixar uma prisão no Alasca. Ao longo de quase um ano, sua saúde se deteriorou. Ele desenvolveu colite ulcerativa, uma doença inflamatória intestinal grave, mas recebeu tratamento para síndrome do intestino irritável.

O atendimento tardio e inadequado levou ao desenvolvimento de uma infecção óssea que resultou na amputação de um dos dedos do pé.

De acordo com documentos judiciais, Sorio começou a relatar dores abdominais intensas e sangue nas fezes em julho de 2025. Apesar de pedidos repetidos para ser encaminhado a um hospital, a equipe médica demorou mais de um mês para encaminhá-lo a um gastroenterologista, com consulta marcada apenas para novembro.

“Eu ia ao médico desde julho, implorando para que me enviassem ao hospital porque eu estava perdendo peso. Não conseguia comer. Meu apetite sumiu. Evacuava sangue, mas nunca me mandaram para o hospital”, disse Sorio em entrevista após sua libertação.

Em outubro, com a piora da dor, ele teria aguardado por horas enquanto gritava e chorava, segundo registros judiciais. A equipe exigiu que ele descesse escadas, apesar de sua dificuldade para caminhar. Uma enfermeira tentou inicialmente liberá-lo apenas com ibuprofeno antes de ele ser finalmente levado ao hospital, relatou Sorio.

No hospital, exames de imagem indicaram colite. Um médico prescreveu antibióticos. De volta ao centro de detenção, porém, a equipe médica não forneceu a medicação, segundo documentos do tribunal.

Três dias depois, Sorio retornou com dor intensa e inchaço no pé. Ele havia desenvolvido osteomielite, uma infecção óssea. Com a piora do quadro, foi hospitalizado e submetido à amputação de um dos dedos.

Sorio afirmou acreditar que a amputação poderia ter sido evitada.

Ele disse que pesava 83 quilos quando chegou ao centro de detenção e cerca de 63 quilos no momento da hospitalização.

A juíza Lin foi especialmente crítica ao médico do ICE, Dr. Eddie Wang, apontando que ele teria confundido doença inflamatória intestinal com síndrome do intestino irritável e apresentado declarações inconsistentes. Em um depoimento, Wang reconheceu que Sorio relatou sangue nas fezes; em outro posterior, essas referências não apareciam.

“A natureza seletiva dos resumos do Dr. Wang é preocupante”, escreveu a juíza.

Wang afirmou que a equipe forneceu medicação apropriada, incluindo diciclomina, utilizada para tratar síndrome do intestino irritável. Sorio, no entanto, havia sido diagnosticado com colite ulcerativa.

Durante a hospitalização, ele desenvolveu anemia por perda aguda de sangue, lesão renal, deficiência severa de vitamina D e palpitações cardíacas. Atualmente, apresenta dificuldade para caminhar e relata sensação de desequilíbrio devido à amputação. Ele também afirmou ter limitação de movimentos na mão esquerda, problema que começou em setembro.

A juíza concluiu que, embora a duração da detenção pudesse ser considerada razoável, as condições, especialmente o atendimento médico, tornaram-na punitiva.

Sorio foi libertado na sexta-feira, mas sua ordem de remoção permanece em vigor.

Foto: The Seattle Times

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