BOSTON, Mass. Durante uma mesa-redonda com repórteres, a procuradora dos Estados Unidos em Massachusetts, Leah Foley, destacou os resultados do seu escritório, incluindo um aumento de 80% nos casos apresentados em comparação com 2024, sendo 50 deles relacionados à exploração infantil.
Após o encerramento de uma operação imigratória em Minnesota, a discussão voltou-se para as ações de imigração em Massachusetts e se o escritório de Foley tem capacidade para lidar com a demanda.
Segundo ela, o órgão apresentou acusações em 140 casos criminais de imigração e atualmente enfrenta 850 petições de habeas corpus, um aumento de 12.000% em relação a 2024. Foley afirmou que isso ocorre em meio a uma redução de 40% na equipe de apoio e de 20% no número de promotores criminais.
“Entendo que, nacionalmente, alguns escritórios estejam tendo dificuldades para acompanhar o volume. Neste distrito, acredito que temos conseguido acompanhar as investigações e os casos que fazem diferença para a comunidade, ao mesmo tempo em que lidamos com as questões de imigração”, disse Foley.
O aumento no número de processos civis está relacionado a duas operações intensivas (surges) do ICE em Massachusetts, além de uma no Maine.
Centenas de imigrantes ingressaram com ações no tribunal federal de Boston contestando suas detenções, já que o governo Trump adota a política de manter todos os indivíduos detidos por agentes de imigração sem audiências de fiança.
Foley também comentou sobre as ordens executivas da governadora Maura Healey e da prefeita de Boston, Michelle Wu, que impedem o ICE de operar em propriedades estaduais e municipais.
“Os agentes federais seguem a lei federal e não vão cumprir leis estaduais que não se aplicam a eles”, afirmou.
Ela declarou ainda que não possui informações sobre a possibilidade de o governo Trump lançar uma nova operação do ICE em Massachusetts.
Ao ser questionada sobre o comportamento de agentes do ICE e alegações de violações de direitos constitucionais, Foley disse não ter visto evidências de que isso esteja ocorrendo no estado.
“Peço a todos que parem com a hipérbole. Se você tem algo e acredita que é crime, pode ligar para a polícia, pode ligar para o FBI. Mas apenas especular ou insinuar que os direitos constitucionais de todos estão sendo violados… Sério? Realmente? A quem você denunciou isso?”, declarou.
Foto: WGBH




