Stephen Miller admite que Agentes do ICE podem não ter seguido protocolo

Em um comunicado à CNN, Miller afirmou que a Casa Branca havia fornecido orientações claras ao DHS (Departamento de Segurança Interna) de que o pessoal extra enviado a Minnesota para proteção de força deveria ser utilizado na condução de operações de captura de fugitivos, a fim de criar uma barreira física entre as equipes de prisão e os manifestantes.

“Estamos avaliando por que a equipe do CBP (Alfândega e Proteção de Fronteiras) pode não ter seguido esse protocolo”, disse ele.

O comunicado marcou, talvez, uma das mudanças de discurso mais notáveis até o momento sobre o caso do disparo contra Pretti, partindo de um dos porta-vozes mais radicais do governo. Logo após o ocorrido, Miller rotulou o enfermeiro da UTI de Assuntos de Veteranos como um “aspirante a assassino”, enquanto a secretária do Departamento de Segurança Interna, Kristi Noem, afirmou que ele “cometeu um ato de terrorismo doméstico”.

No entanto, vídeos divulgados posteriormente mostraram que Pretti foi cercado pelas forças de segurança e desarmado antes de ser baleado fatalmente. O presidente Donald Trump também contradisse diretamente a caracterização feita por Miller na terça-feira, afirmando que não tinha ouvido a retórica de “terrorista doméstico”.

Horas após emitir o comunicado, Miller recorreu às redes sociais para defender os agentes federais envolvidos em prisões de imigrantes, dizendo que os oficiais do ICE trabalham “sob as condições mais adversas imagináveis”. Ele acrescentou que esses agentes são “perseguidos, caçados, seguidos, vigiados e visceralmente atacados por esquerdistas violentos organizados a cada hora do dia”.

No dia do incidente, Noem manteve contato quase constante com funcionários da Casa Branca, incluindo Miller, segundo fontes familiarizadas com o assunto ouvidas pela CNN.

Trump vinha defendendo, em particular, um oficial que o departamento afirmou ter puxado o gatilho, embora o DHS tenha indicado posteriormente que dois oficiais dispararam. Já Noem recebeu orientações de vários membros da Casa Branca sobre como deveria se manifestar durante a coletiva de imprensa naquela noite, incluindo a sugestão que se revelou falsa de que Pretti estaria “empunhando” uma arma, segundo as fontes. O envolvimento de Miller nessas discussões foi relatado inicialmente pelo site Axios.

Noem informou os funcionários da Casa Branca sobre o tom desafiador que pretendia adotar, deixando claro que defenderia os agentes em campo. Naquele momento, de acordo com as fontes, ela e a Casa Branca estavam em total sintonia.

Agora, porém, o discurso passou a ser alvo de escrutínio, enquanto Trump busca se distanciar de membros de seu próprio governo. Na terça-feira, o presidente adotou um tom mais conciliador em relação ao ocorrido em Minnesota, parecendo se afastar tanto de Noem quanto de Miller.

Foto: CNN

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