Washington, D.C. — As mais recentes declarações financeiras do presidente Donald Trump mostram que ele ou seus consultores de investimentos realizaram mais de 3.700 operações no mercado financeiro no primeiro trimestre, uma movimentação intensa que somou dezenas de milhões de dólares e envolveu grandes empresas que mantêm relações com seu governo.
As transações, detalhadas em mais de 100 páginas de documentos apresentados na quinta-feira ao Escritório de Ética Governamental dos EUA, listam compras e vendas em faixas amplas de valores, dificultando o cálculo exato do montante. Mas o volume de negociações, mais de 40 por dia ao longo de três meses, chama tanta atenção quanto o possível valor financeiro envolvido.
“Isso é uma quantidade insana de negociações”, disse Matthew Tuttle, CEO da Tuttle Capital Management, em entrevista, acrescentando que a atividade parece mais algo feito por “um fundo hedge com enormes operações algorítmicas” que compra e vende ativos apostando em alta e baixa, do que uma conta pessoal.
No primeiro trimestre, o presidente comprou pelo menos US$ 1 milhão em ações de empresas como Nvidia, Oracle, Microsoft, Boeing e Costco, segundo os documentos. Outras negociações envolveram eBay, Abbott Laboratories, Uber, AT&T e a rede de descontos Dollar Tree.
A divulgação reacende preocupações sobre conflitos de interesse que acompanham os mandatos de Trump na Casa Branca. Críticos frequentemente o acusam de misturar suas funções oficiais com seus interesses empresariais. Diferentemente de seus antecessores, Trump não vendeu seus ativos nem os colocou em um blind trust administrado por um gestor independente. Seu vasto império empresarial é administrado por dois de seus filhos e atua em várias áreas que se cruzam com políticas presidenciais.
Ao mesmo tempo, o genro de Trump, Jared Kushner, ajuda a administrar bilhões de dólares em investimentos do Qatar, Saudi Arabia e United Arab Emirates, enquanto também atua como enviado “voluntário” do presidente em temas ligados à guerra no Iran e ao Oriente Médio em geral.
A Casa Branca rejeitou questionamentos sobre possíveis conflitos de interesse. O porta-voz David Ingle afirmou que Trump “age apenas no melhor interesse do público americano”. Ele acrescentou: “Não há conflitos de interesse.”
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