Famílias portuguesas estão deixando os EUA com medo de deportações e retornando aos Açores 

New Bedford, EUA — Um número crescente de famílias portuguesas, especialmente de origem açoriana, está deixando os Estados Unidos e retornando aos Açores. Segundo Helena da Silva Hughes, presidente do Immigrants’ Assistance Center, entre 15 e 20 famílias já organizaram seus documentos, venderam casas e negócios e compraram passagens de volta para Portugal.

Essas famílias, que inicialmente entraram nos EUA com visto de turista e acabaram permanecendo ilegalmente, construíram vidas nos estados de Massachusetts e Rhode Island — com negócios próprios, filhos nascidos em solo americano e laços fortes com a comunidade local. No entanto, o medo crescente de deportações e a sensação de insegurança têm feito muitos decidirem ir embora por conta própria.

“Eles vieram em busca de uma vida melhor, mas agora vivem com medo de sair de casa ou mandar os filhos para a escola. Isso não é viver”, disse Hughes.

O governo dos EUA chegou a oferecer mil dólares e passagens aéreas para quem optar por sair voluntariamente do país, como parte de uma medida para reduzir os custos com deportações forçadas. No entanto, muitos imigrantes têm receio de se registrar no aplicativo oficial, que exige informações pessoais, fotos e até localização via GPS.

Hughes afirma que, embora o incentivo exista, a maioria prefere sair discretamente, sem se expor. Ela também destaca que o valor oferecido não cobre os custos de recomeçar a vida em outro país.

Enquanto isso, o governo dos Açores enfrenta o desafio de acompanhar esse retorno. Muitas famílias voltam sem notificar oficialmente as autoridades, o que dificulta o planejamento de escolas e serviços públicos locais. Uma das recomendações de Hughes ao governo açoriano foi monitorar o aumento de matrículas de crianças nascidas nos EUA.

A situação é ainda mais complexa para imigrantes de países da América Central e do Sul, que muitas vezes não têm a opção de voltar com segurança, já que fugiram de violência, crises políticas e pobreza extrema.

Para Hughes, o cenário atual é inédito: “O que está acontecendo agora, ninguém nunca viu.”

Foto: Herald News/Colin Furze

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