Cambridge, Mass. — Professores da Universidade Harvard aprovaram uma mudança no sistema de avaliação acadêmica que irá limitar a quantidade de notas máximas concedidas aos estudantes de graduação.
A proposta foi aprovada por 458 votos a 201 e estabelece que apenas 20% dos alunos de cada turma poderão receber nota A, além da possibilidade de até quatro notas A adicionais por disciplina. Não haverá limite para notas A- ou avaliações inferiores.
Outra proposta, que permitiria que algumas matérias fossem dispensadas da nova regra, acabou rejeitada pelos docentes por 364 votos a 292.
A política começará a valer no segundo semestre de 2027 e será revisada após três anos de implementação.
Segundo o Subcomitê de Avaliação da universidade, a mudança busca tornar as notas mais representativas do desempenho acadêmico dos alunos.
Em comunicado, o grupo afirmou que uma nota A em Harvard deve voltar a transmitir “algo real” sobre as conquistas do estudante para empregadores e programas de pós-graduação.
A universidade decidiu rever o sistema após constatar um crescimento expressivo da chamada inflação de notas. Dados divulgados por Harvard mostram que as notas A representaram 60% das avaliações em 2025. Em comparação, o índice era de 40% em 2015 e de 20% em 2005.
O subcomitê também afirmou que empresas e programas de pós-graduação passaram a considerar os históricos escolares de Harvard menos úteis devido ao alto número de notas máximas.
A decisão, no entanto, gerou preocupação entre estudantes.
A estudante Abidah Shaikh afirmou à emissora WBZ-TV que a mudança pode aumentar ainda mais a competitividade dentro da universidade.
Já Tallulah Paris disse acreditar que a nova política pode prejudicar o ambiente acadêmico em sala de aula.
Por outro lado, Amanda Claybaugh, diretora de educação de graduação de Harvard, elogiou a decisão e afirmou que a medida fortalece a cultura acadêmica da instituição.
Ela declarou ainda que espera que outras universidades também enfrentem questões relacionadas à inflação de notas com o mesmo rigor.
Os co-presidentes da Associação da Universidade Harvard, Zach Berg e Daniel Zhao, criticaram o processo de decisão e disseram que os estudantes deveriam ter sido mais consultados antes da aprovação da mudança.
Apesar disso, afirmaram que continuarão trabalhando para defender os interesses acadêmicos dos alunos antes da entrada em vigor da nova política.
Foto: Harvard University/Instagram



