Um médico americano que contraiu Ebola enquanto trabalhava na República Democrática do Congo foi transferido de avião para a Alemanha na terça-feira para receber tratamento especializado.
O Dr. Peter Stafford atuava no Hospital Nyankunde, na província de Ituri, região onde o atual surto da doença está concentrado. Segundo líderes do grupo missionário cristão Serge, onde Stafford trabalha, o médico estava extremamente debilitado no momento da transferência.
Scott Myhre, diretor da região da África Oriental e Central da organização, afirmou que Stafford mal conseguia caminhar sozinho ao embarcar.
“Ele parecia muito cansado e muito doente”, disse Myhre, relatando que o médico precisou ser amparado por profissionais usando equipamentos completos de proteção individual.
Dias antes de os Centros Africanos de Controle e Prevenção de Doenças confirmarem oficialmente o surto, Stafford realizou uma cirurgia abdominal em um paciente de 33 anos que apresentava fortes dores. Inicialmente, a equipe médica acreditava tratar-se de uma infecção na vesícula biliar.
Durante o procedimento, porém, os médicos perceberam que a vesícula estava normal. O paciente morreu no dia seguinte e foi enterrado antes que pudesse ser testado. Posteriormente, a equipe concluiu que ele provavelmente estava infectado com Ebola.
Poucos dias depois, Stafford começou a apresentar sintomas como febre, calafrios, dores musculares, fadiga e náusea. O teste positivo para Ebola foi confirmado no domingo, segundo os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos.
Scott Myhre destacou que Stafford é extremamente cuidadoso durante cirurgias, utilizando roupas estéreis completas, luvas, proteção ocular e outros equipamentos de segurança. Mesmo assim, ele afirmou que isso nem sempre é suficiente para impedir totalmente a exposição ao vírus.
A esposa do médico, Rebekah Stafford, que também é médica e participou do atendimento ao mesmo paciente, permanece no Congo junto com os quatro filhos pequenos do casal. Todos estão sendo monitorados pelas autoridades de saúde.
Outro médico da equipe, Patrick LaRochelle, também pode ter sido exposto após atender um segundo paciente suspeito. Até agora, nenhum deles apresentou sintomas da doença.
Segundo os responsáveis pelo grupo missionário, Stafford entrou imediatamente em quarentena assim que começaram os primeiros sintomas.
As autoridades de saúde acreditam que o vírus já circulava havia semanas antes da confirmação oficial do surto. Até o momento, estima-se que pelo menos 131 pessoas tenham morrido na África Central e que existam 531 casos suspeitos da doença.
A Organização Mundial da Saúde informou que surtos anteriores da variante Bundibugyo do Ebola registraram taxas de mortalidade entre 30% e 50%.
Foto: ABC News




