Depois de quase cinco horas de debate intenso e marcado por fortes emoções, a Assembleia Legislativa do estado de Nova York aprovou, na última terça-feira, um projeto de lei que legaliza o suicídio assistido para pessoas com doenças terminais. A proposta, chamada de “Lei de Ajuda Médica para Morrer” (Medical Aid in Dying Act), foi aprovada por 81 votos a 67.
O projeto permite que adultos mentalmente aptos, diagnosticados com até seis meses de vida, possam solicitar a prescrição de medicamentos letais para encerrar a própria vida de forma assistida. A medida, no entanto, gerou bastante controvérsia, inclusive entre os próprios democratas — cerca de 20 deles votaram contra.
A deputada Mary Beth Walsh, uma das principais críticas da proposta, afirmou que “cada vida tem valor” e que a ideia de desistir da vida vai contra o espírito de progresso do estado. Já a líder da maioria na Assembleia, Crystal Peoples-Stokes, compartilhou sua experiência pessoal ao perder a mãe e a filha, dizendo que não acredita que oferecer uma combinação de medicamentos para provocar a morte seja o caminho certo.
Por outro lado, apoiadores do projeto defendem que ele oferece uma opção digna para quem está sofrendo. A deputada Karines Reyes, que também é enfermeira, destacou que ninguém será obrigado a usar essa opção, mas que é desumano negar esse direito a quem deseja encerrar o sofrimento.
A proposta ainda precisa ser aprovada pelo Senado estadual, e a líder da maioria no Senado, Andrea Stewart-Cousins, disse que o assunto será discutido, mas não garantiu que o projeto será levado à votação.
Ainda não se sabe se a governadora Kathy Hochul sancionaria a medida caso ela avance nas duas casas legislativas.
Grupos religiosos, como a Igreja Católica, e ativistas pelos direitos das pessoas com deficiência se manifestaram contra o projeto. Para eles, o estado deveria investir mais em cuidados paliativos e apoio psicológico.
Atualmente, dez estados dos EUA e o Canadá já permitem algum tipo de suicídio assistido.
Foto: Hans Pennink



