Câmara derrota extensão de programa que permite governo espionar o povo dos EUA

Washington, D.C. — Os democratas na Câmara dos Representantes rejeitaram uma extensão de curto prazo de uma importante lei de vigilância, em meio aos planos do presidente Donald Trump de colocar um aliado de confiança no comando das agências federais de inteligência.

A Câmara rejeitou nesta quinta-feira uma prorrogação de três semanas da Seção 702 da Lei de Vigilância de Inteligência Estrangeira (FISA, na sigla em inglês) por 218 votos a 198. Apenas sete democratas votaram a favor da extensão, enquanto 19 republicanos votaram contra.

Os parlamentares vêm debatendo essa lei há anos. Uma coalizão formada por republicanos da ala mais conservadora e democratas progressistas defende que o governo seja obrigado a obter um mandado judicial quando quiser analisar comunicações de cidadãos americanos captadas durante operações de vigilância estrangeira.

Mas a decisão de Trump de nomear Bill Pulte como diretor nacional de Inteligência provocou indignação até mesmo entre democratas tradicionalmente favoráveis à manutenção dos poderes de vigilância. Pulte é um ex-incorporador imobiliário sem experiência na área de segurança nacional, mas que recentemente ganhou notoriedade por atuar de forma agressiva em defesa de Trump.

“Bill Pulte não terá nem um dia com essa autoridade, porque sabemos que ele vai abusar dela”, disse o deputado Jim Himes, principal democrata do Comitê de Inteligência da Câmara, em entrevista ao HuffPost.

Himes, que há muito tempo é um defensor ferrenho da Seção 702, foi um dos 42 democratas da Câmara que votaram a favor de uma extensão temporária anterior da lei em abril.

Foto: Britannica

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