Por Alia Shoaib – Newsweek
O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, afirmou em entrevista à Fox Business que a elevação dos preços da carne bovina no país pode estar relacionada à entrada de gado doente trazido por imigrantes. Segundo Bessent, a administração Trump herdou o problema, que envolve fatores de longa data, e destacou que uma doença erradicada na América do Norte teria retornado por meio de animais vindos da América do Sul com migrantes.
Bessent explicou que, devido ao risco de contaminação pelo parasita conhecido como screwworm, os Estados Unidos precisaram suspender a importação de carne bovina do México. Apesar disso, especialistas ressaltam que a participação do gado estrangeiro no mercado americano é pequena e não há evidências de que migrantes estejam trazendo animais infectados para o país.
A demanda por carne bovina segue alta nos Estados Unidos, pressionando o orçamento das famílias. O presidente e CEO da Omaha Steaks, Nate Rempe, também ouvido pela Fox Business, alertou que o preço do quilo da carne pode chegar a US$ 10 no próximo ano, devido à redução dos rebanhos e ao aumento dos custos de produção. Segundo Rempe, o número de cabeças de gado está no menor patamar em 70 anos, resultado de secas prolongadas e despesas crescentes para os criadores.
Dados do índice de preços ao consumidor de setembro, divulgados pelo U.S. Bureau of Labor Statistics, mostram que diferentes cortes de carne bovina tiveram aumento de 12% a 18% no último ano. O screwworm, parasita citado por Bessent, tem avançado pela América Central e México, levando Washington a suspender a importação de gado mexicano em maio. No entanto, cerca de 1 milhão de cabeças de gado vêm do México anualmente, o que representa apenas 1% do rebanho total dos Estados Unidos, e não há casos confirmados da doença em território americano.
Autoridades afirmam que o risco de contaminação está relacionado ao comércio de gado, tanto legal quanto ilegal, e não à entrada de animais com migrantes individuais. Especialistas reforçam que, embora a preocupação com o screwworm afete o fornecimento, ela não é a principal causa do aumento dos preços.
Rempe acrescentou que a carne importada, como a argentina, representa apenas cerca de 2% do abastecimento nacional. O presidente Donald Trump reconheceu o impacto do preço da carne bovina e anunciou medidas como a ampliação das importações da Argentina e a revogação de tarifas sobre carnes e outros produtos. Segundo a CNN, Trump também determinou que o Departamento de Justiça investigue grandes frigoríficos americanos por suposta manipulação de preços.
Em declaração à Fox News, Trump afirmou: “Os preços dos alimentos caíram, exceto a carne bovina. Agora, a carne vai cair. Precisamos fazer isso.” Já Bessent classificou o momento como uma “tempestade perfeita” herdada pela administração.
A expectativa é que os preços da carne bovina permaneçam elevados até 2026, enquanto os pecuaristas americanos trabalham para recompor os rebanhos. Ainda não se sabe se a flexibilização das importações e as mudanças nas tarifas serão suficientes para reduzir os custos nos próximos anos.
Foto: CHARLY TRIBALLEAU
Fonte: Newsweek



