Um júri concluiu que a gigante de shows Live Nation e sua subsidiária Ticketmaster mantinham um monopólio prejudicial sobre grandes casas de espetáculos, resultando em uma derrota para a empresa em um processo movido por dezenas de estados dos EUA e pelo Distrito de Columbia.
Um júri federal de Manhattan deliberou por quatro dias antes de chegar à decisão na quarta-feira, em um caso amplamente acompanhado, que deu aos fãs uma visão dos bastidores de um negócio que domina o entretenimento ao vivo nos Estados Unidos e além.
Antes disso, o juiz instruiu os advogados de ambos os lados a se reunirem entre si e com os Estados Unidos para apresentar uma carta conjunta propondo um cronograma para os próximos pedidos e como ocorrerá a fase de definição de penalidades do caso. Ele pediu que o documento seja entregue até o fim da próxima semana.
O julgamento levou o CEO da Live Nation, Michael Rapino, a depor, sendo questionado sobre diversos assuntos, incluindo o problema com ingressos para shows de Taylor Swift em 2022. Rapino atribuiu o episódio a um ataque cibernético.
O processo também revelou uma mensagem interna de um funcionário da Live Nation para outro colega, na qual alguns preços eram classificados como absurdos, os clientes eram chamados de muito burros e a empresa se gabava de estar roubando eles descaradamente. O funcionário, Benjamin Baker, que desde então foi promovido a um cargo executivo na área de ingressos, pediu desculpas e afirmou que as mensagens foram muito imaturas e inaceitáveis.
A Live Nation Entertainment possui, opera, controla a programação ou tem participação em centenas de locais de eventos. Sua subsidiária Ticketmaster é amplamente considerada a maior vendedora de ingressos para eventos ao vivo do mundo. Seus advogados não comentaram imediatamente ao deixar o tribunal, mas disseram que uma declaração será divulgada em breve.
O veredicto pode custar à Live Nation e à Ticketmaster centenas de milhões de dólares, apenas com base nos 1,72 dólar por ingresso que o júri concluiu que a Ticketmaster cobrou a mais dos consumidores em 22 estados. As empresas também podem sofrer penalidades adicionais. Além disso, sanções podem resultar em ordens judiciais obrigando a venda de parte de seus ativos, incluindo locais como anfiteatros que possuem.
O processo civil, inicialmente liderado pelo governo federal dos Estados Unidos, acusou a Live Nation de usar sua influência para sufocar a concorrência, por exemplo, impedindo que locais utilizassem múltiplas plataformas de venda de ingressos.
A Live Nation insistiu que não é um monopólio, afirmando que artistas, equipes esportivas e locais definem os preços e as práticas de venda de ingressos. Um advogado da empresa argumentou que seu tamanho é simplesmente resultado de excelência e esforço.
“O sucesso não viola as leis antitruste nos Estados Unidos”, disse o advogado David Marriott em sua defesa final.
A Ticketmaster foi fundada em 1976 e se fundiu com a Live Nation em 2010. Atualmente, a empresa controla 86% do mercado de shows e 73% do mercado total quando eventos esportivos são incluídos, segundo Kessler.
Imagens: Fotos e arte PBS




