Mãe de sobrinho de Karoline Leavitt contesta narrativa da Casa Branca sobre sua prisão pelo ICE

Por Maria Sacchetti e Todd Wallack – O Washington Post

A brasileira Bruna Ferreira, 33 anos, mãe do sobrinho da porta-voz da Casa Branca Karoline Leavitt, afirmou de um centro de detenção do ICE na Louisiana que a versão divulgada pelo governo sobre sua prisão é falsa e injusta. Detida em 12 de novembro por estar no país sem status legal, após ter permanecido nos Estados Unidos desde a infância com visto vencido, Ferreira diz se sentir “insultada” por ser retratada como criminosa e como mãe ausente, apesar de manter contato próximo com a família Leavitt. Em entrevista ao The Washington Post, ela relatou que escolheu Karoline para ser madrinha de seu filho, autorizou a participação do menino no evento de Páscoa da Casa Branca e sempre se esforçou para garantir sua presença em momentos importantes, como o casamento da porta-voz em janeiro.

A Casa Branca declarou que Ferreira não falava com Leavitt havia anos, que nunca viveu com o filho e compartilhou um comunicado do Departamento de Segurança Interna (DHS) descrevendo-a como “criminosa”, mencionando um suposto episódio de “agressão”. No entanto, registros judiciais e fotos de família contradizem essa narrativa, e seu advogado, Todd Pomerleau, afirma que a única referência policial é um incidente juvenil de 2008, sem prisão, arquivado e que nunca teve natureza criminal. Ferreira e Michael Leavitt, irmão da porta-voz, viveram juntos em New Hampshire, ficaram noivos e tiveram um filho. Após a separação em 2015, passaram por anos de disputas judiciais marcadas por acusações mútuas de abuso, negligência e intimidação, incluindo alegações de Ferreira de que Leavitt teria ameaçado deportá-la, o que ele nega. A justiça determinou guarda compartilhada, e em 2021 ficou estabelecido que o menino moraria com o pai durante a semana por causa da escola, enquanto Ferreira passaria os fins de semana com ele e poderia levá-lo ao Brasil nas férias para obter dupla cidadania.

Em 2022, Ferreira foi alvo de uma investigação de negligência pelo Departamento de Saúde e Serviços Humanos de Massachusetts, segundo Leavitt, além de um episódio registrado pela polícia envolvendo sua mãe, que buscou o menino em uma casa onde Ferreira trabalhava como cuidadora e morava temporariamente. A polícia não apresentou acusações, e a visitação de Ferreira foi mantida. Ela classificou o episódio como um mal-entendido em um momento de instabilidade pessoal. Ferreira vive nos EUA desde 1998, quando chegou aos 6 anos, e tornou-se elegível ao DACA em 2012, recebendo autorização de trabalho e proteção temporária contra deportação. Seus advogados afirmam que, diante da nova ofensiva do governo Donald Trump para deportar milhões de imigrantes, seu caso foi reaberto neste ano.

A brasileira diz levar uma vida estável e ativa com o filho, acompanhando sua rotina escolar, esportiva e de lazer. No dia 12 de novembro, ela deixou o menino na escola em New Hampshire e foi presa horas depois quando saía para buscá-lo. Um vídeo obtido pelo TMZ mostra quatro SUVs cercando seu carro em Revere, Massachusetts, e agentes a levando algemada. Ela relatou ter sido transferida por centros em Vermont, Filadélfia, Texas e, finalmente, Louisiana, onde permanece detida com centenas de mulheres em processo de deportação. Após reportagem da Telemundo, outras detentas passaram a questioná-la sobre sua relação com Karoline Leavitt.

Ferreira diz não entender por que foi alvo de uma operação tão ostensiva e rejeita a versão de que não havia contato com a porta-voz há anos, afirmando que vê a família com frequência devido ao filho e que inclusive conhece o marido de Karoline. Ela afirma que não consegue esquecer que seu filho ficou esperando na fila da escola no dia da prisão e que, desde então, não conseguiu falar com ele apesar das tentativas de contato por meio de Michael Leavitt, que não respondeu às solicitações. Seus advogados alertam que, se deportada, Ferreira ficará proibida de retornar aos EUA por uma década, o que tornaria impossível manter o vínculo presencial com o filho. “Ele precisa de mim agora, não daqui a 20 anos”, disse, emocionada.

Foto: GoFundMe; ANDREW CABALLERO-REYNOLDS / AFP via Getty Images

Fonte: Boston Globe

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