‘New York Times’ processa secretário de defesa dos EUA por nova política que restringe trabalho da imprensa

Por David Folkenflik – NPR

O New York Times entrou com uma ação judicial nesta quinta-feira contra o secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, contestando a nova política do Pentágono que limita drasticamente o trabalho da imprensa dentro da instituição. A regra, anunciada em setembro, exige que jornalistas credenciados assinem um compromisso de não coletar informações, mesmo que não classificadas, sem autorização explícita de autoridades de defesa.

Segundo o Times, a medida tenta obrigar repórteres a depender exclusivamente de fontes oficiais para reportar assuntos militares e prevê punições para quem descumprir as restrições. Por esse motivo, o jornal, assim como a NPR, optou por devolver suas credenciais em vez de aceitar as novas condições.

A ação judicial também cita como réus o Departamento de Defesa e o porta-voz do Pentágono, Sean Parnell, que afirmou estar pronto para defender a política em tribunal.

Mesmo sem acesso oficial ao prédio, veículos como o Times e a NPR continuam publicando reportagens exclusivas sobre ações militares recentes, incluindo ataques dos EUA contra alvos no Irã e na Venezuela, muitas vezes contrariando versões divulgadas pelo governo.

A insatisfação com o controle sobre a imprensa se intensificou após a revelação de que Hegseth discutiu ataques aéreos iminentes no Iêmen em conversas privadas no aplicativo Signal com altos funcionários. As mensagens vieram à tona depois que Jeffrey Goldberg, editor da revista The Atlantic, foi adicionado por engano ao grupo.

Nos documentos apresentados à Justiça, o New York Times argumenta que a política viola a Primeira Emenda e os direitos constitucionais de devido processo, citando decisões anteriores em que a Casa Branca foi obrigada a devolver passes permanentes a repórteres como Brian Karem e Jim Acosta.

As restrições impostas por Hegseth seguem uma linha semelhante à adotada pelo governo Trump em sua segunda gestão, incluindo um “canal de denúncias de viés da mídia” lançado pela Casa Branca esta semana.

O Times é representado pelo advogado Theodore J. Boutrous, conhecido por sua atuação em defesa da liberdade de expressão. Ele também trabalha na ação da NPR contra uma ordem executiva de Trump que busca cortar subsídios federais para NPR e PBS.

A política do Pentágono já provocou mudanças internas: repórteres agora precisam de escolta para circular pelo prédio e devem assinar o compromisso de não buscar informações não autorizadas. Ao anunciar as regras, Hegseth escreveu nas redes sociais: “A ‘imprensa’ não manda no Pentágono, o povo manda”.

Em meio ao embate com veículos tradicionais, o Pentágono recebeu nesta semana um novo grupo de correspondentes dispostos a aceitar as novas exigências, muitos deles ligados a plataformas de viés pró-Trump ou conhecidas por promover teorias conspiratórias. Entre os recém-chegados estão a ativista Laura Loomer, o Gateway Pundit e o canal LindellTV.

Ao dar boas-vindas ao novo grupo, o secretário de imprensa do Pentágono, Kingsley Wilson, criticou a saída de grandes veículos: “A mídia tradicional escolheu se auto-deportar deste prédio. E, olhando os números, fica claro por que ninguém os acompanhou. A confiança nacional nessas organizações despencou para 28%, o menor índice já registrado.”

Alguns dos novos correspondentes chegaram a publicar fotos dizendo ter recebido o antigo escritório de um repórter do Washington Post, mas depois corrigiram a informação após serem ridicularizados nas redes.

Foto: Kevin Wolf/AP

Fonte: NPR

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