Na tarde desta terça-feira, cerca de 100 pessoas se reuniram em uma manifestação que saiu da Prefeitura de Boston em direção ao State House, exigindo moradia acessível e políticas de controle de aluguel. Com cartazes em inglês, português, espanhol e chinês, os manifestantes destacaram que o direito à moradia é uma necessidade básica e deve ser prioridade do governo.
Organizada pela coalizão Homes for All Massachusetts, a marcha fez parte de um dia nacional de mobilização por estabilidade habitacional, com protestos acontecendo em quase 20 cidades dos Estados Unidos.
“Moradia é o principal problema do estado”, afirmou Carolyn Chou, diretora executiva da organização. “Não é só em Boston. É um problema em Springfield, Worcester, Lynn, Brockton. Precisamos que o estado aja.”
A manifestação acontece em meio a uma grave crise habitacional em Massachusetts, com os preços das casas batendo recordes. Em abril, o valor médio de uma casa na região de Greater Boston chegou a US$ 990 mil, o mais alto já registrado. Ao mesmo tempo, há discussões federais para cortar drasticamente verbas para programas de habitação.
Sussan Miller, representante da Community Action Agency de Somerville e imigrante brasileira, reforçou que a luta é também por dignidade. “Ter dois ou três empregos só para pagar o aluguel é desumano. Não deveríamos ter que nos mudar para longe de onde trabalhamos ou onde nossos filhos estudam para conseguir morar”, disse. “Queremos mais do que controle de aluguel. Queremos ter nossa própria casa.”
Durante a caminhada, os manifestantes entoaram palavras de ordem como “Moradia é um direito humano!” e “Controle de aluguel já!”. No trajeto, idosos, jovens, famílias e líderes comunitários marcharam lado a lado, pedindo ações concretas dos legisladores estaduais.
Selena Eutsay, da organização City Life/Vida Urbana, defendeu a volta do controle de aluguel em todo o estado, lembrando que muitos moradores antigos estão sendo forçados a deixar seus lares após aumentos abusivos. “Estamos lutando para manter essas casas acessíveis. Quando lutamos, vencemos”, disse.
O veterano Charles Gyukeri, de 67 anos, que depende do programa federal Section 8 para pagar o aluguel, também participou do protesto. “Já fui sem-teto. Estou nessa luta há quase 10 anos. Dizem que estão construindo moradia acessível, mas para quem?”.
No encerramento, já em frente ao State House, os manifestantes ouviram discursos de lideranças comunitárias que reforçaram a necessidade de moradias realmente acessíveis e permanentes, voltadas para as pessoas — e não para o lucro.
“Precisamos de habitação social, estável e feita para a comunidade”, afirmou Lydia Lowe, da Greater Boston Community Land Trust Network.
A mensagem dos manifestantes foi clara: moradia digna é um direito, e o momento de agir é agora.
Foto: Danielle Parhizkaran/Equipe Globe




