Um agente do ICE matou a tiros Lorenzo Salgado Araujo, um cidadão mexicano que vivia nos Estados Unidos havia décadas, enquanto ele levava sua equipe de construção para uma obra em Houston.
A morte provocou protestos na maior cidade do Texas e levou políticos democratas e familiares de Salgado Araujo a pedirem uma investigação independente. O tiroteio ocorreu na terça-feira em um bairro de maioria hispânica.
O Departamento de Segurança Interna (DHS) informou que agentes federais procuravam uma pessoa que vinha sendo investigada havia semanas quando tentaram abordar um veículo dirigido por Salgado Araujo. Em nota, o DHS afirmou que Salgado Araujo bateu propositalmente em um veículo do ICE e que um agente federal atirou em legítima defesa.
A família de Salgado Araujo afirmou que ele estava perto de concluir o longo processo para obter status legal nos Estados Unidos após viver no país por 35 anos e que sabia como agir caso fosse abordado por agentes do ICE. Ronaldo Salgado, seu filho, disse que o pai pode ter ficado assustado ao pensar que as pessoas em veículos sem identificação estavam tentando roubar suas ferramentas de trabalho.
O DHS informou que, semanas antes do tiroteio, agentes que investigavam uma denúncia observaram duas vans brancas no endereço do alvo da investigação. Na terça-feira, quando seguiam para esse endereço, os agentes avistaram uma van branca e uma pessoa em seu interior que se parecia com o indivíduo procurado.
Segundo o DHS, um agente abriu fogo depois que Salgado Araujo ignorou ordens para parar e tentou atingir o agente com o veículo. Até o momento, a agência não divulgou vídeos ou fotografias da ocorrência.
Um vídeo gravado pela testemunha Juliet Martinez mostra as consequências do tiroteio. Um veículo preto aparece atravessado em frente a uma van branca, ambos com as portas abertas. Um homem ferido, algemado e sangrando está caído no chão, gemendo de dor enquanto sua perna treme. Outros agentes federais permanecem próximos a pelo menos três homens também algemados.
Quem é a família
Segundo Ronaldo Salgado, Salgado Araujo e sua esposa foram para os Estados Unidos após se conhecerem ainda adolescentes no México e decidirem que queriam uma vida melhor para a futura família.
Pai de três filhos, ele construiu casas nos subúrbios de Houston, abriu sua própria empresa e montou sua própria equipe de construção. De acordo com a família, ele não tinha antecedentes criminais.
Ronaldo Salgado, o filho mais velho, tornou-se professor. Um dos irmãos é engenheiro, e o outro está cursando Engenharia na universidade.
O filho descreveu o pai como um homem tranquilo, que saía para trabalhar ao nascer do sol e gostava de brincar com seu cachorro e sentar na varanda ouvindo música.
Salgado Araujo é pelo menos a oitava pessoa a morrer durante a campanha de fiscalização imigratória do governo Trump. Até o momento, nenhum agente de imigração foi acusado criminalmente por essas mortes, e imagens de vídeo de outros casos anteriores contradizem os relatos apresentados pelos agentes federais.
O que diz o México
A presidente do México, Claudia Sheinbaum, afirmou que chegou o momento de ampliar as reclamações do país para além dos canais diplomáticos após a morte de Salgado Araujo.
“Vamos fazer tudo o que estiver ao nosso alcance, porque não podemos permanecer em silêncio diante da morte de mexicanos cujo único crime é trabalhar honestamente nos Estados Unidos”, declarou Sheinbaum.
O ministro das Relações Exteriores do México, Roberto Velasco, afirmou, na quinta-feira, durante uma coletiva de imprensa presidencial, que o governo mexicano solicitará que sejam apresentadas acusações criminais nos tribunais dos Estados Unidos pela suposta morte de três mexicanos durante operações do ICE e pelas mortes de outros 14 mexicanos sob custódia da agência.
Foto: Arquivo de família via ABC News




