Moradores de diversas cidades de Massachusetts têm se mobilizado contra as operações do ICE (Serviço de Imigração e Controle de Alfândega dos EUA), que vêm gerando medo e indignação entre imigrantes e defensores dos direitos humanos. Em locais como Chelsea, Acton, Worcester e Waltham, agentes federais têm realizado prisões com métodos considerados agressivos e, muitas vezes, sem mandado judicial, o que tem provocado protestos e resistência da população.
Em Chelsea, por exemplo, uma moradora filmou agentes mascarados quebrando a janela de um carro e retirando à força um homem logo após ele sair da igreja. Em outro caso, em Waltham, um menino de 12 anos foi deixado sozinho na calçada depois que o adulto que o acompanhava foi detido. A cena foi registrada por uma vereadora local, que classificou a ação como “intimidação”.
Organizações como a LUCE Immigrant Justice Network têm recebido centenas de denúncias por meio de uma linha direta criada para relatar ações do ICE. Só em uma semana, foram mais de 650 ligações. Voluntários treinados têm monitorado essas operações, gravado vídeos e prestado apoio às famílias afetadas.
A escalada nas ações do ICE coincide com uma mudança na política federal, que passou a permitir prisões de imigrantes sem antecedentes criminais, ampliando o alcance das detenções. Embora o número total de detenções não tenha aumentado drasticamente, os agentes têm atuado com mais frequência dentro das comunidades, o que tem elevado a tensão local.
Líderes comunitários, prefeitos e vereadores têm se manifestado contra o que consideram “perseguição” e “crueldade”. Em Lynn, por exemplo, autoridades divulgaram um comunicado alertando para o aumento das chamadas “prisões colaterais”, quando pessoas que não eram alvo inicial da operação também acabam detidas.
Apesar das críticas, o ICE defende suas ações como necessárias para a segurança pública e afirma que o uso de máscaras pelos agentes é uma medida de proteção. No entanto, para muitos moradores, a forma como essas operações estão sendo conduzidas fere direitos básicos e cria um ambiente de medo e insegurança.
Diante desse cenário, movimentos de solidariedade têm se fortalecido. Concertos beneficentes, vigílias e eventos informativos têm reunido centenas de pessoas em apoio às famílias afetadas. Para muitos, o momento exige união e ação coletiva.
“Estamos vendo pessoas que nunca se envolveram com ativismo dizendo: ‘Preciso estar lá’”, disse a pastora Deborah Clark, durante um protesto em Framingham. “O que está acontecendo é inaceitável.”
Foto: Craig F. Walker/Equipe Globe




