Tom Homan mira em Boston e diz que “trará o inferno” à cidade

BOSTON — Tom Homan, ex-diretor do ICE (Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas) e atual responsável pela execução do plano de deportações do presidente Donald Trump, voltou a colocar Boston no centro da discussão sobre imigração nos Estados Unidos. Em entrevista exclusiva à 7NEWS, Homan afirmou que a operação em Boston está apenas começando — e que ele pode até alugar um apartamento na cidade para acompanhar de perto as ações.

Em março, agentes federais prenderam 370 imigrantes na região de Boston, segundo o ICE. Mais de 200 deles, de acordo com as autoridades, tinham condenações ou acusações criminais graves. “Isso é só o começo”, disse Homan.

Durante um discurso recente, ele chegou a declarar: “Estou indo para Boston. E estou trazendo o inferno comigo.” Ele também criticou duramente o comissário de polícia da cidade, Michael Cox, dizendo que ele “virou político” e “esqueceu o que é ser policial”.

Questionado se conversou com Cox após as declarações, Homan respondeu que não, e afirmou que está disposto ao diálogo, mas que acredita que “forças de segurança devem trabalhar juntas”.

A prefeita de Boston, Michelle Wu, também respondeu às declarações de Homan. Em março, ela disse: “Vergonha para Tom Homan por mentir sobre a nossa cidade.” Homan rebateu: “Ela disse que eu menti. Mas prendemos mais de 300 pessoas. Quem está mentindo?”

Wu defende as políticas de “cidade santuário” de Boston, que limitam a cooperação entre a polícia local e as autoridades federais de imigração. Ela argumenta que essas políticas tornam a cidade mais segura, pois vítimas e testemunhas de crimes não têm medo de se apresentar.

Homan discorda completamente: “Isso é besteira. Vítimas e testemunhas também não querem criminosos de volta ao bairro. Cidades santuário são a maior ameaça à segurança pública deste país.”

Em tom ainda mais polêmico, Homan foi questionado se, na visão dele, autoridades públicas como Wu poderiam ser presas por atrapalhar ações de imigração. Ele respondeu: “Depende do que acontecer. Se cruzarem a linha, vamos atrás. Não sou promotor, mas vou pedir que sejam processados.”

A atuação agressiva do ICE em Boston já gerou revolta entre líderes locais, especialmente após a prisão de um homem fora de um tribunal da cidade, onde ele estava sendo julgado por falsidade ideológica. Homan defendeu a ação, dizendo que “não há santuário para ameaças à segurança pública, nem mesmo nos tribunais”.

Apesar do tom duro, Homan afirmou que agentes federais não farão operações em escolas, igrejas ou hospitais — a menos que saibam que um alvo específico está nesses locais. “Se soubermos que estão lá, vamos entrar e pegar”, garantiu.

As declarações de Homan acirraram ainda mais o debate sobre imigração em Boston, uma cidade que historicamente tem se posicionado em defesa das comunidades imigrantes.

Foto: D.C. Pool, Getty Images

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