Trump muda vacinação de crianças por causa do autismo

WASHINGTON, D.C. — O presidente Donald Trump assinou na segunda-feira uma ordem executiva para reformular as recomendações de vacinação infantil, defendendo que algumas vacinas sejam aplicadas separadamente e em consultas diferentes.

A medida propõe separar a vacina contra sarampo, caxumba e rubéola (MMR) em três doses distintas e determina que o Departamento de Saúde amplie as pesquisas sobre vacinas. Atualmente, essas vacinas separadas para crianças não estão disponíveis nos Estados Unidos.

No Salão Oval, Trump voltou a sugerir que a quantidade ou o momento da aplicação das vacinas poderiam estar relacionados ao aumento dos casos de transtorno do espectro autista. O consenso científico e décadas de estudos, porém, concluíram que não existe relação entre vacinação e autismo.

Especialistas em saúde pública alertam que espaçar as vacinas pode aumentar o período em que as crianças ficam vulneráveis a doenças que poderiam ser prevenidas. As vacinas infantis e suas combinações passam por estudos rigorosos e monitoramento contínuo de segurança.

Michael Osterholm, especialista em doenças infecciosas da Universidade de Minnesota, afirmou que os pais devem continuar seguindo recomendações elaboradas por especialistas, como as da Academia Americana de Pediatria.

“A ordem executiva de hoje não altera as evidências científicas que sustentam a vacinação infantil. Esses dados foram construídos ao longo de décadas, por meio de grandes ensaios clínicos, estudos de eficácia no mundo real e monitoramento contínuo da segurança envolvendo milhões de crianças”, afirmou Osterholm.

Embora Trump peça novas recomendações, são os estados, e não o governo federal, que têm autoridade para exigir vacinas de crianças nas escolas. A ordem aconselha estados com exigências de vacinação escolar a considerar mudanças em suas leis para acompanhar o calendário defendido pelo governo.

Em dezembro, Trump já havia determinado que o Departamento de Saúde e Serviços Humanos revisasse as políticas de vacinação de outros países. O departamento reduziu o número de vacinas recomendadas para todas as crianças, mas a mudança foi posteriormente bloqueada pela Justiça.

Alterações nas recomendações federais normalmente precisam da aprovação da direção dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC). A recém-confirmada diretora do CDC, Dra. Erica Schwartz, anteriormente supervisionou políticas de incentivo à vacinação de militares na Guarda Costeira.

Lawrence Gostin, especialista em legislação de saúde pública da Universidade Georgetown, afirmou que a interpretação da Suprema Corte sobre os poderes presidenciais pode permitir que Trump passe por cima de Schwartz caso ela rejeite as novas recomendações.

“Este é claramente o primeiro teste para a Dra. Erica Schwartz”, disse Gostin. “O presidente está colocando-a em uma posição insustentável.”

O secretário de Saúde, Robert F. Kennedy Jr., ativista antivacina antes de entrar para a política, também promoveu mudanças nas políticas de imunização. Ele demitiu os 17 integrantes de um comitê consultivo sobre vacinas e nomeou substitutos que adotaram recomendações mais restritivas, posteriormente suspensas por um juiz federal.

Kennedy também determinou que o CDC abandonasse sua posição de que vacinas não causam autismo, sem apresentar novas evidências para justificar a mudança.

Foto: Education Week

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