Por James Bickerton Repórter de notícias dos EUA – Newsweek
Um vídeo de 2010 em que Jeffrey Epstein invoca seus direitos constitucionais ao ser questionado sobre sua relação com Donald Trump e a presença de menores de idade voltou a circular nas redes sociais nesta semana. O trecho, com 34 segundos de duração, foi publicado na quarta-feira pela plataforma MeidasTouch e já ultrapassou 2 milhões de visualizações no X (antigo Twitter).
Na gravação, Epstein é interrogado por um advogado que representava uma das supostas vítimas menores de idade. Ao ser perguntado se já teve uma relação pessoal com Trump, Epstein responde que sim. Em seguida, o advogado pergunta se ele já socializou com Trump na presença de garotas com menos de 18 anos. Epstein então se recusa a responder, alegando seus direitos sob a Quinta, Sexta e Décima Quarta Emendas da Constituição dos EUA.
Essas emendas garantem, entre outros pontos, o direito de não produzir provas contra si mesmo, o direito a um julgamento justo e o devido processo legal.
A repercussão do vídeo ocorre em meio a novas revelações sobre os chamados “arquivos Epstein”. Segundo reportagem do The Wall Street Journal publicada na quarta-feira, a procuradora-geral Pam Bondi informou ao presidente Donald Trump, em maio, que seu nome aparecia “diversas vezes” nos documentos relacionados ao caso Epstein, que estão sob posse do Departamento de Justiça. O diretor de comunicação da Casa Branca, Steven Cheung, classificou a matéria como “mais uma notícia falsa”.
A pressão sobre Trump aumentou após a divulgação de um memorando do Departamento de Justiça no início do mês, afirmando que não há uma “lista de clientes” incriminatória ligada a Epstein e reiterando que ele morreu por suicídio em sua cela, em agosto de 2019. Teorias da conspiração sobre a morte de Epstein continuam circulando, com alegações de que ele teria sido assassinado para proteger figuras poderosas.
Em setembro de 2024, Trump chegou a dizer ao podcaster Lex Fridman que não teria “nenhum problema” em divulgar mais informações sobre o caso, caso fosse eleito novamente.
De acordo com registros de voo divulgados em janeiro de 2024, em resposta a um processo movido por Virginia Giuffre — uma das acusadoras de Epstein —, Trump viajou diversas vezes nos jatos particulares de Epstein. Em entrevista à revista New York em 2002, Trump chegou a dizer que Epstein era “divertido” e que “gostava de mulheres bonitas tanto quanto ele, e muitas delas eram bem jovens”.
No entanto, em 2019, Trump declarou que não era “fã” de Epstein e que os dois não se falavam havia 15 anos, após um desentendimento.
Epstein foi condenado em 2008 por solicitação de prostituição, incluindo de menores de idade, como parte de um acordo judicial. Em 2019, foi preso novamente por acusações de tráfico de dezenas de meninas menores de idade e foi encontrado morto na prisão um mês depois. Em 2022, sua ex-parceira, a socialite britânica Ghislaine Maxwell, foi condenada a 20 anos de prisão por envolvimento no aliciamento de menores para Epstein.
A divulgação do vídeo também reacendeu críticas no Congresso. O senador democrata Adam Schiff escreveu no X: “Trump disse à imprensa que não sabia que seu nome estava nos arquivos de Epstein. Agora sabemos que isso era mentira. Ele foi informado por Bondi, sua ex-advogada de defesa criminal e atual procuradora-geral. É hora de acabar com o encobrimento Trump/Epstein. Divulguem os arquivos.”
Em resposta à reportagem do Wall Street Journal, Pam Bondi e seu vice, Todd Blanche, afirmaram em nota conjunta que “nada nos arquivos justificava investigação ou acusação adicional” e que foi feito um pedido judicial para tornar públicos os registros do grande júri. Eles confirmaram que Trump foi informado dos achados como parte de um “briefing de rotina”.
Na terça-feira, o presidente da Câmara dos Deputados, o republicano Mike Johnson, anunciou o recesso antecipado da Casa até setembro, o que, segundo críticos, teria como objetivo evitar uma votação sobre a liberação dos arquivos de Epstein.
A administração Trump deve continuar enfrentando pressão tanto de parlamentares democratas quanto de parte de sua própria base política para divulgar mais documentos relacionados ao caso.
Foto: Rick Friedman/Rick Friedman Photography/Corbis/Andrew Caballero-Reynolds/AFP/GETTY
Fonte: Newsweek



