A gigante de entregas UPS anunciou nesta semana que pretende cortar cerca de 20 mil postos de trabalho e fechar 73 centros de operação nos próximos dois meses. A decisão faz parte de um plano para economizar cerca de US$ 3,5 bilhões ainda este ano, diante da expectativa de queda no volume de encomendas, especialmente da Amazon — seu maior cliente.
A empresa já havia sinalizado, em janeiro, que pretende reduzir em mais da metade a quantidade de pacotes enviados pela Amazon até o segundo semestre de 2026. A mudança faz parte de uma estratégia para tornar a UPS mais lucrativa, ágil e eficiente, segundo a própria companhia.
Apesar da redução no volume de entregas, a Amazon afirmou que chegou a oferecer mais negócios à UPS, mas respeita a decisão da parceira. A UPS, por sua vez, disse que continuará acompanhando o fluxo de encomendas e que mais centros podem ser fechados no futuro, se necessário.
No primeiro trimestre de 2024, a receita da empresa caiu 0,7% em relação ao mesmo período do ano passado, enquanto o lucro operacional teve alta de 3,3%.
A CEO da UPS, Carol Tomé, disse que as mudanças são necessárias diante da instabilidade econômica global e que a empresa sairá mais forte e preparada após esse processo de reestruturação.
Por outro lado, o sindicato Teamsters, que representa grande parte dos trabalhadores da UPS, alertou que a empresa tem o compromisso de criar 30 mil empregos conforme o acordo coletivo atual. O presidente do sindicato, Sean O’Brien, afirmou que não aceitará cortes que prejudiquem os trabalhadores e prometeu “uma grande luta” caso o acordo seja desrespeitado.
A UPS emprega atualmente cerca de 490 mil pessoas no mundo e se apresenta como a maior empresa de entregas de pacotes do planeta. A companhia também destacou que está investindo em automação e reorganização para aumentar a eficiência.
Além disso, a UPS demonstrou preocupação com os impactos econômicos das tarifas comerciais impostas pelo presidente Donald Trump, especialmente sobre produtos chineses. Segundo Carol Tomé, essas medidas estão criando incertezas para os pequenos e médios negócios que dependem de importações da China.
Foto: Joe Raedle/Getty Images




