Após nova denúncia de estupro, democratas retiram apoio a candidato no Maine

Uma mulher que teve um relacionamento com o candidato democrata ao Senado pelo estado do Maine, Graham Platner, afirmou que ele a forçou a manter relações sexuais enquanto estava bêbado, mesmo depois de ela pedir que ele parasse, segundo uma reportagem do Politico. A denúncia levou importantes apoiadores a retirarem seu apoio e mergulhou em crise uma disputa considerada essencial para o Partido Democrata.

Platner negou a acusação na segunda-feira, mas disse que iria avaliar os próximos passos de sua campanha.

“Independentemente das imprecisões da reportagem, mas ciente da realidade política que isso pode provocar, estamos tirando um tempo para refletir sobre o melhor caminho a seguir”, afirmou em um vídeo divulgado nas redes sociais.

Jenny Racicot, moradora do Maine, contou ao Politico que Platner entrou em sua casa em 2021, embriagado, e a agrediu sexualmente. Racicot disse que os dois mantinham um relacionamento intermitente, mas rompeu todo contato com ele após aquela noite e afirmou que o ocorrido não foi consensual. Um recado deixado em um telefone listado para Racicot em busca de comentários não recebeu resposta imediata. Em entrevista à CNN na noite de segunda-feira, ela afirmou que decidiu não reagir fisicamente por temer que Platner, ex-fuzileiro naval, se tornasse ainda mais violento.

“Naquela noite, ele violou vários limites do consentimento”, disse Racicot.

O Comitê Nacional Democrata enviou um e-mail pedindo doações para disputas ao Senado poucas horas após a publicação da reportagem do Politico, mas a corrida no Maine não estava entre elas. O presidente do partido, Ken Martin, declarou: “Os democratas do Maine devem escolher um novo candidato.”

O deputado Ro Khanna, democrata da Califórnia, que havia mantido seu apoio a Platner mesmo diante de controvérsias anteriores, afirmou que a nova acusação mudou sua posição.

“Sempre deixei claro que agressão sexual ou violência contra mulheres é uma linha que não pode ser ultrapassada”, disse Khanna. “Essas acusações são muito sérias e críveis. Graham Platner deve abandonar a disputa. Estou retirando meu apoio.”

Os senadores Ruben Gallego, do Arizona, e Elizabeth Warren, de Massachusetts, também anunciaram a retirada de seu apoio e pediram que Platner desistisse da candidatura. Os líderes democratas da Assembleia Legislativa do Maine e os principais dirigentes do Partido Democrata estadual fizeram o mesmo.

“Esta disputa pelo Senado ocorre em um momento decisivo na luta contra um governo, apoiado pela senadora Collins, que serve aos interesses dos ricos e poderosos em detrimento das pessoas comuns do Maine. É essencial que voltemos a concentrar esta campanha nessa luta”, afirmaram, em nota conjunta, o presidente estadual do partido, Charlie Dingman, a vice-presidente Imke Schessler e o diretor executivo Devon Murphy-Anderson.

A senadora Collins divulgou apenas uma breve declaração.

“Essas acusações são revoltantes”, disse ela. “No entanto, não cabe a mim escolher o candidato democrata ao Senado.”

A legislação estadual permite que Platner seja substituído na cédula eleitoral caso desista da candidatura até 13 de julho. O candidato substituto deverá ser escolhido até 27 de julho.

Foto: NBC News

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