Aprovação de Trump entre latinos diminui, mas democratas não avançam no grupo

O início da paralisação do governo dos Estados Unidos nesta quarta-feira levou a Casa Branca a cancelar uma celebração do Mês da Herança Hispânica com apoiadores latinos, um segmento considerado fundamental para a base eleitoral do presidente Donald Trump em 2024. Apesar de iniciativas do Partido Republicano para atrair hispânicos, esse apoio parece estar enfraquecendo.

Os latinos tiveram papel decisivo na vitória de Trump, que conquistou quase metade dos votos desse grupo, um recorde de 48% para um candidato republicano. A maioria dos homens hispânicos apoiou Trump na disputa contra a ex-vice-presidente Kamala Harris.

No entanto, pesquisas recentes apontam queda no apoio dos latinos ao presidente e às suas políticas, principalmente devido a preocupações econômicas, como o aumento dos preços de alimentos e moradia. Segundo levantamento do New York Times/Sienna divulgado nesta semana, 69% dos hispânicos desaprovam a condução do governo por Trump, e 58% acreditam que a economia piorou desde que ele assumiu o cargo.

Outros levantamentos, apresentados a dirigentes nacionais do Partido Democrata durante reunião do Comitê Nacional Democrata em Minnesota, em agosto, indicam tendência semelhante. As pesquisas, realizadas em novembro, abril e junho, mostram que a aprovação de Trump entre latinos era amplamente negativa, e piorou um pouco após os primeiros 100 dias de governo.

Os dados também revelam que a importância dada à reforma imigratória cresceu entre os latinos: em novembro de 2024, era apenas a sexta prioridade, mas em junho passou a ser a segunda, atrás apenas do custo de vida e da inflação. Desde o início do mandato, o governo Trump intensificou ações contra imigrantes em situação irregular, e o Departamento de Segurança Interna informou que deve deportar 600 mil pessoas sem documentação até o fim do ano.

Em junho, a maioria dos entrevistados afirmou acompanhar de perto as ações do governo na área de imigração, e quase metade relatou medo de ser deportado ou de ver familiares e amigos nessa situação.

A economia segue como principal preocupação dos eleitores latinos, segundo dirigentes democratas. Esse tema liderava a lista em novembro e continuava no topo em junho, período em que a percepção era de piora do cenário econômico. Menos de um quinto dos latinos que votaram em Trump acreditam ser possível ou provável que ele e os republicanos percam seu apoio.

“Os latinos confiaram nele, acreditaram quando ele prometeu, em 2024, reduzir o preço dos alimentos, combustíveis e aluguéis”, afirmou a estrategista democrata Maria Cardona.

Apesar do descontentamento, as pesquisas apresentadas aos democratas mostram que a insatisfação dos latinos com a economia sob Trump ainda não se converteu em maior apoio ao Partido Democrata. Até abril, os democratas não haviam registrado avanços expressivos entre esses eleitores.

“Os democratas precisam mostrar o que farão pelos latinos, não apenas criticar Trump e os republicanos”, defendeu Cardona. “É preciso dizer: ‘isso é o que vamos fazer por você, é assim que vamos ajudar sua família a ter uma vida melhor’, que é o motivo pelo qual todos viemos para este país.”

As próximas eleições estaduais em Nova Jersey e Virgínia, em novembro, serão um teste para ambos os partidos. Em 2026, os republicanos apostam em alta participação dos latinos para manter a maioria na Câmara dos Deputados.

“O sentimento entre os hispânicos é de que ainda não vimos a redução dos custos de energia ou dos alimentos de forma rápida”, disse Jorge Martinez, diretor estratégico da Libre, organização nacional que mobiliza eleitores latinos.

Martinez avalia que ainda é cedo para medir o impacto das políticas econômicas do governo, como a lei “One Big Beautiful Act”, que os republicanos estão promovendo como “Working Families Tax Cut” para as eleições de meio de mandato de 2026.

“Se os republicanos conseguirem focar em políticas de crescimento que tragam mais energia e reduzam o custo de bens e serviços, vejo potencial de melhora para o partido. Mas é preciso entregar resultados”, concluiu Martinez.

Foto: Internet

Fonte: CBS News

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