Mais de 50 pais e cônjuges de militares da ativa foram detidos durante a ofensiva do presidente Donald Trump contra a imigração em seu segundo mandato, segundo a Associated Press.
A AP publicou uma extensa reportagem nesta quarta-feira revelando que dezenas de familiares de militares foram detidos, e alguns acabaram deportados, o que gerou preocupações sobre a capacidade operacional das Forças Armadas durante a guerra contra o Irã, ao mesmo tempo em que ramos como o Exército continuam promovendo os benefícios migratórios do serviço militar.
A Associated Press compilou sua lista de detidos, dos quais pelo menos seis já foram deportados, “analisando milhares de registros de tribunais federais reunidos pelo Habeas Dockets, um projeto da Immigration Justice Transparency Initiative; revisando a cobertura já publicada pela imprensa; e verificando as informações com familiares e advogados”.
A reportagem destaca que o número real provavelmente é superior a 50, mas o Departamento de Segurança Interna (DHS) não faz um acompanhamento específico desses casos.
A repressão às famílias de militares ocorre por causa de uma nova política implementada no segundo mandato de Trump, que determina que “o serviço militar, por si só, não isenta estrangeiros das consequências de violarem as leis de imigração dos Estados Unidos”.
O que tem gerado confusão para alguns militares é que ramos como o Exército continuam promovendo o programa “parole in place”, que permite que familiares de militares alterem seu status imigratório.
Alguns pais e cônjuges, no entanto, foram detidos e até deportados enquanto estavam no processo de regularizar sua situação migratória, um procedimento que agora leva vários meses a mais do que levava antes do retorno de Trump à Casa Branca.
O sargento do Exército Hedar Leonel Turcios Juarez, que estava baseado em Fort Bliss, no Texas, contou que sua esposa foi detida do lado de fora de um Walmart, diante do filho do casal, de 6 anos.
“Como posso me concentrar na minha carreira militar se preciso me preocupar com o que está acontecendo com minha esposa?”, questionou.
A sargento técnica da Força Aérea Wendy Gbeve também relatou que seu pai foi detido durante uma entrevista de rotina com autoridades de imigração. Ele foi deportado de volta para o México antes que ela recebesse qualquer outra atualização sobre o caso.
“É a sensação mais frustrante e de total impotência”, afirmou.
Foto: ABC News




