Parlamentares dos EUA pedem US$ 400 milhões para melhorar transporte nas cidades-sede da Copa do Mundo de 2026

WASHINGTON — Um grupo bipartidário de parlamentares dos Estados Unidos está solicitando ao governo federal um reforço de US$ 400 milhões para investimentos em transporte público nas cidades americanas que vão sediar jogos da Copa do Mundo de 2026.

O torneio, que será realizado em conjunto pelos EUA, Canadá e México, promete ser o maior da história da FIFA, com mais de cinco milhões de torcedores esperados para os 104 jogos. Entre as 11 cidades-sede nos EUA estão Boston, Nova York, Kansas City, Filadélfia e Los Angeles.

Segundo a US Travel Association, o país precisará de mais de US$ 10 bilhões em melhorias na infraestrutura de transporte para conseguir atender à demanda de visitantes durante o evento.

Em carta enviada ao Subcomitê de Transporte, Habitação e Desenvolvimento Urbano, a deputada Sharice Davids e outros 55 congressistas afirmaram que o sucesso do torneio depende da capacidade de movimentar as pessoas com segurança e eficiência. “O impacto econômico estimado em mais de US$ 17 bilhões está diretamente ligado à forma como vamos transportar os torcedores pelas cidades”, diz o documento, que será oficialmente enviado ao comitê de orçamento em 23 de maio.

Entre as melhorias necessárias estão aumento da capacidade de passageiros, ampliação do horário de funcionamento dos sistemas de transporte, contratação de mais funcionários, reforço na segurança e modernização de trilhos e estações.

O pedido acontece em meio a uma crise financeira enfrentada por sistemas de transporte público em todo o país. Com o fim dos auxílios emergenciais da pandemia, muitas agências estão lidando com déficits bilionários, o que tem levado à possibilidade de aumento nas tarifas, cortes de serviço ou ambos.

Apesar da urgência, o governo Trump tem se mostrado contrário a novos repasses para sistemas de transporte com dificuldades financeiras. O secretário de Transportes, Sean Duffy, tenta barrar iniciativas como o pedágio de congestionamento em Nova York, que poderia gerar US$ 15 bilhões para melhorias no metrô e ônibus da cidade. Ele também tem cortado verbas para projetos ligados à Amtrak, a empresa de trens de passageiros dos EUA.

Em cidades como Kansas City, a situação é ainda mais crítica. O estádio local, que receberá seis partidas, é altamente dependente de carros, e o transporte público da cidade consegue levar apenas 80 pessoas por hora entre o aeroporto, o centro e o estádio. A FIFA exige que cada estádio tenha um aeroporto próximo com capacidade mínima de 1.450 passageiros por hora.

“Não estamos prontos neste momento”, admitiu a deputada Sharice Davids, presidente do grupo parlamentar da Copa do Mundo de 2026. “Estamos fazendo tudo o que podemos para garantir que estaremos preparados, e esse pedido de verba é apenas uma parte do esforço para garantir que todos possam chegar aos jogos com segurança.”

Foto: Yuki Iwamura/Bloomberg

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