Cada vez mais americanos estão recorrendo ao modelo de pagamento parcelado conhecido como “compre agora, pague depois” (BNPL, na sigla em inglês) para lidar com as despesas do dia a dia — incluindo itens essenciais como supermercado.
Uma pesquisa recente da agência PartnerCentric revelou que mais da metade da população dos EUA (52%) já utiliza esse tipo de financiamento, com destaque para os jovens da Geração Z (59%) e os Millennials (58%). E a tendência é de crescimento: 35% dos entrevistados disseram que pretendem usar ainda mais a modalidade este ano, número que sobe para 65% entre os mais jovens.
O uso do BNPL vai além de compras grandes, como eletrônicos e móveis. Segundo outra pesquisa da plataforma LendingTree, o número de pessoas que usam o recurso para comprar alimentos subiu de 14% para 25% em apenas um ano. Isso, segundo especialistas, é um reflexo direto do impacto da inflação e da insegurança econômica nas finanças das famílias americanas.
Embora empresas e defensores da prática defendam o BNPL como uma ferramenta útil para organizar o orçamento, sem juros ou análise de crédito, economistas alertam que o crescimento do uso para despesas básicas é preocupante. Para o analista Matt Schulz, da LendingTree, esse comportamento é mais um sinal de que muitas famílias estão no limite financeiro.
A parceria recente entre a Klarna, uma das maiores empresas de BNPL, e o aplicativo de entrega DoorDash, foi apontada como um possível indicativo de recessão. O economista Gary Hufbauer classificou o acordo como “um termômetro do desespero real”.
Além disso, a confiança do consumidor nos EUA segue em queda. Segundo o último levantamento do Conference Board, abril registrou o quinto mês consecutivo de queda no otimismo da população, com as expectativas para o futuro atingindo o menor nível em 13 anos.
Para Stephanie Harris, CEO da PartnerCentric, o crescimento do BNPL mostra que os consumidores estão buscando mais controle sobre suas finanças. “Essa mudança mostra que as pessoas querem ferramentas que acompanhem o ritmo e a pressão da vida moderna”, afirmou.
Por outro lado, especialistas em finanças pessoais alertam para o risco de endividamento. “O BNPL virou o novo cartão de crédito — só que sem o plástico. E isso pode fazer com que as pessoas se afundem em dívidas de quatro parcelas por vez”, disse George Kamel, consultor financeiro.
Com a possibilidade de uma recessão em 2025 sendo cada vez mais discutida por economistas, o uso crescente do “compre agora, pague depois” pode ser tanto um alívio temporário quanto um sinal de alerta sobre a fragilidade da economia americana.
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